27 de janeiro de 2017 às 08:00.

Movimento estudantil tenta se reerguer para alcançar seus objetivos

compartilhar

A Crítica oferece a seus leitores um relato mais detalhado: “Urina atirada na cela, para que ninguém pudesse dormir, ameaça de espancamento, proibição para contato com advogados e até ofensas com palavrões foram os tipos de tratamento dado pela Delegacia de Vigilância e Captura para os estudantes e professores universitários presos na noite de sexta-feira, após a assembleia geral realizada no Instituto de Ciências Humanas e Letras. Sob a alegação de que ‘alguém tinha que informar o que se passou na reunião’, os policias infiltrados no movimento prenderam oito estudantes e dois professores e uma jornalista, conduzindo-os para a Delegacia da Captura. João Evangelista Vasconcelos, a jornalista Luiza Elaine Azevedo, Maria do Socorro Oliveira, George Tasso Lucena Sampaio Calado, José Ribamar Mitoso, Sônia Mitoso, Antônio Paulino (irmão do deputado estadual João Pedro), Raimundo de Melo Pinto e os professores Frederico Arruda e Paulo Monte foram capturados (termo usado por eles) e atirados em celas comuns” (A Crítica de 25 de setembro de 1983, p.03).

Enquanto isso, o movimento tentava se reerguer para alcançar seus objetivos. Estudantes e professores da Universidade do Amazonas pleitearam e o reitor Octávio Mourão convocou uma reunião na Universidade do Amazonas, da qual participaram o arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Milton Correa Pereira, o presidente da OAB-AM, Carlos Fausto Ventura e o deputado federal Mário Frota. Os presentes constituíram uma comissão para elaborar um plano de ação visando restabelecer o diálogo entre os estudantes e o governador. Afirmou o arcebispo: “O governador Gilberto Mestrinho está mal assessorado e acredito que os fatos estão chegando ao seu conhecimento com algumas distorções” (A Notícia de 28 de setembro de 1983, p.02).

Mestrinho recebeu a comissão na noite seguinte, e expôs sua decisão de não mais dialogar com os estudantes, porque estes teriam quebrado o compromisso assumido com o governo de manter a ordem durante as manifestações.  E anunciou que, a partir daquele momento, estavam proibidas quaisquer manifestações públicas em áreas no centro da cidade. Pela determinação do governador, o único local permitido para atos públicos seria a Bola da Suframa. Mestrinho voltou a advertir os “baderneiros que continuam tentando tumultuar a tranquilidade da população, que toda a paciência do governo tem limite, e que quem se exceder nesse limite sofrerá as consequências de sua irresponsabilidade” (A Notícia de 29 de setembro de 1983, p.02).

This site is using SEO Baclinks plugin created by Cocktail Family

Comentários