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23 de janeiro de 2017 às 08:00.

Atos violentos ganham repercussão nacional

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Durante a tentativa de fuga, duas meninas foram espancadas por cassetetes e tiveram suas pernas quebradas: Ana Maria, de 17 anos, estudante do Instituto de Educação do Amazonas, e Rosana Viana, de 18, do Colégio Aparecida. Juntamente com o vendedor ambulante Pedro Pinto Melo, de 60 anos, também ferido na perna, foram levadas para o Hospital Getúlio Vargas.

Ao tentar estacionar o seu carro na Sete de Setembro, o cidadão Arthur Marques também foi agredido pelos policiais, sofrendo ferimentos por diversas partes do corpo, inclusive com fratura no crânio, sendo internado às pressas na Clínica Santa Angélica” (A Crítica de 23 de setembro de 1983, p.02).

Os atos violentos também ganham repercussão nacional, sendo alvos de matéria publicada no Jornal do Brasil, sob o título “Polícia reprime com rigor ato estudantil”: “Diante dos gritos de ordem, os policiais investiram contra os manifestantes, usando cassetetes. Seis manifestantes foram feridos e um homem teve as pernas fraturadas, apesar de não ter nada com o protesto” (Jornal do Brasil de 23 de setembro de 1983, p.04).

Em 23 de setembro, A Notícia traz um fato inusitado: três “notas oficiais” de apoio ao governador Gilberto Mestrinho são estampadas na primeira página do jornal — os signatários são a Executiva Estadual do PMDB, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus e o Tribunal de Justiça do Amazonas. Mais extensa, a nota dos sindicalistas chega a afirmar que “está na hora de extirpar do meio do nosso povo meia dúzia de baderneiros do Partido Comunista do Brasil, camuflados de estudantes e até deputado“. A situação do deputado estadual João Pedro havia se complicado – sua expulsão do PMDB estava sob análise na Executiva do partido (Jornal do Commercio de 23 de setembro de 1983, p.04).

O noticiário publicado por A Crítica no mesmo dia seguia igual direção – a da ameaça de repressão – mas, com conteúdo ligeiramente diverso: a famigerada Lei de Segurança Nacional (LSN) instrumento amplamente utilizado pelo aparato repressor durante os anos mais duros da ditadura militar, “poderia ser utilizada contra manifestantes“, segundo declaração do secretário de segurança, Henrique Lustosa. Fazendo coro aos líderes das demais instituições, Lustosa joga toda a culpa pelos tumultos em cima dos militantes do PC do B, “que estão manipulando essas crianças“.

A Delegacia de Vigilância e Capturas mantinha, à época, oito estudantes detidos: Ildenê de Castro Costa, Rosana Alves Viana, Evana Alves Viana, Raimundo Fernandes da Silva, Altemar Barbosa, Yniflê Pereira Gomes, Ademir Brito Nogueira e Afonso de Jesus Nascimento, dos quais apenas o primeiro era maior de idade. Motivo da prisão: “foram apanhados distribuindo panfletos” (A Notícia de 23 de setembro de 1983, p.05).

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