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11 de janeiro de 2017 às 08:00.

Aumento da tarifa pesa no bolso do trabalhador

Naqueles tempos, o troco dentro dos ônibus era um problema. Com a tarifa anterior, a Cr$ 80,00, ocorriam conflitos diários entre cobradores e passageiros por causa dos Cr$ 20,00 (o troco para a nota de Cr$ 100,00). Com a nova tarifa estipulada em Cr$ 110,00, previa-se um agravamento dos conflitos, já que a quantidade de troco necessário seria bem maior.

Para contornar a situação, a prefeitura firma um convênio com o Banco do Estado do Amazonas (BEA) para a venda de passes de ônibus em suas 26 agências bancárias, uma novidade para a época. Os passes seriam vendidos em cartelas contendo dez, vinte ou mais unidades. A população manauara, no entanto, não digeriu bem o reajuste tarifário. No dia 16 de setembro, o Jornal do Commercio dá a primeira notícia reportando a insatisfação popular, intitulada “Desta vez, o povo reclamou contra a tarifa do ônibus“.

Segundo o diário, os usuários de ônibus, que haviam se mantido passivos diante dos três reajustes anteriores, reclamaram com veemência da nova tarifa de Cr$ 110,00. Todos esperavam um aumento razoável; não da forma como a prefeitura determinou. Um casal com filhos abordados pela reportagem disse que: “só fazendo um movimento contra esse preço para mostrar que o povo não está satisfeito com um absurdo desses“. (Jornal do Commercio de 16 de setembro de 1983, p.3).

No dia seguinte, a UESA e o Diretório Universitário anunciaram uma reunião para três dias mais tarde com a finalidade de discutir a estratégia de combate à nova tarifa. Segundo cálculos dos líderes estudantis, reproduzidos pelo Jornal do Commercio, as tarifas acumulavam aumento superior a 1.000% em três anos, enquanto a inflação do período não passava dos 700% (…). Mas, segundo o diário, “será uma luta muito difícil de ganhar, uma vez que a nova tarifa já está vigorando e as empresas e a prefeitura se posicionarão radicalmente contra um retrocesso nesse valor. Entendem os empresários que a alta nos preços dos combustíveis e nos custos operacionais da frota justifica bem um reajuste dessa ordem.” (Jornal do Commercio de 18 de setembro de 1983, p.04).

Naqueles tempos, muitas das organizações sindicais ainda refletiam a situação vivida durante os anos de ditadura, com líderes pouco comprometidos com a causa trabalhista e alçados às diretorias de sindicatos para servir de anteparo aos propósitos do governo militar – eram os chamados “pelegos“. Via imprensa, a UESA e o Diretório Universitário acusavam o Sindicato dos Rodoviários de Manaus de se beneficiar com o reajuste da tarifa, que, por esse motivo, estaria calado diante de uma tarifa que pesava no bolso do trabalhador.

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