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17 de fevereiro de 2017 às 08:00.

Baré x Difusora, uma rivalidade saudável

A rivalidade entre as Rádios teve seu auge entre 1949 e 1959. Os cantores mais famosos do Brasil não só tinham suas músicas divulgadas pelas duas rádios, como a maioria deles aqui se apresentou: Aracy de Almeida, Mazzaroppi, Roberto Silva, Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Nuno Rolando, Lourdinha Bittencourt, Linda e Dircinha Batista, Nilo Sérgio, Nora Ney, Ângela Maria, a “sapoti”; Emilinha Borba, a “garota grau dez”; Marlene, Dilú Melo, Milton Teixeira,  Chico Alves, “o Rei da voz”; Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”; Nelson Gonçalves, “o Boêmio”; Silvio Caldas, “o cantor das despedidas”; Vicente Celestino, “a voz orgulho do Brasil”; Orlando Silva, o “cantor das multidões”; Jorge Goulart, Trio de Ouro e Dalva de Oliveira, “o rouxinol do Brasil”; Dalva de Oliveira (sem o Trio de Ouro), Luiz Gonzaga, o Rei do Baião; Blecaute, Las Palomitas, o garoto Paulo Molim, pernambucano que encantava cantando “Serenata Suburbana”, “Olinda, Cidade Eterna  e “Recife, cidade lendária”, canções de autoria de Capiba; e outros cantores mais.

As rádios traziam os artistas, os anunciantes patrocinavam hospedagem e transporte.

As duas rádios também tinham seus próprios artistas e apresentadores. Os cantores locais mais requisitados nos anos 1950, eram: Almir Silva, Guiomar Cunha, “a intérprete das valsas apaixonadas”, artista que fez parte do cast da Voz da Baricéia, no fim da década de 1930; Orsine Marques, Ilka de Souza, Roque de Souza, Estevão Santos, Rosangela Fuentes, Maria Neide, Hélio Trigueiro, dentre outros. Os apresentadores e animadores mais famosos eram:  Belmiro Barrela, que também era cantor e compositor; Índio do Brasil, Romulo Gomes, Josaphat Pires, Jaime Rebelo, os irmãos Flaviano e Andrea Limongi, Wupslander Lima e Abner Dantas de Mesquita.

Num fim de semana dos primeiros dias da década de 1950, o Cine Teatro Politeama estava lotado quando o apresentador Belmiro Barrela anunciou: “E agora, senhoras e senhores, é com enoooorme alegria que lhes apresento o harmonioso conjunto musical, o grupo fenômeno, Looooos Cariiiiibeeees” (palmas e assobios). E prosseguiu: “… que hoje interpretará o grande sucesso de… (longa pausa) Panchito Ubaldino, “Se Va El Caramelero””.

Ninguém, exceto o Ubaldino Meirelles, percebeu o “ improviso” do apresentador. Belmiro havia esquecido o autor daquele sucesso e, ao identificar o jovem estudante e futuro deputado federal na plateia, não contou conversa, deu-lhe a paternidade da música de Arsenio Rodriguez.

“Los Caribes” era um dos grandes conjuntos vocais de Manaus, tinha contrato de exclusividade com o Hotel Amazonas, mas também se apresentava em festas, clubes e na Maloca dos Barés. Dois outros conjuntos locais arrebatavam fãs, os “Ases Infernais”, exclusivo do Ideal Clube, e os “Cancioneiros da Lua”.

O grupo “Cancioneiros da Lua” era formado por seis jovens, em sua maioria membros da família Caminha: os irmãos Hiram, Ivan e Almeron Caminha, Hélcio e Raimundo – primos dos Caminha – e Clovis Bacuri. O grupo iniciou sua trajetória de sucesso em 1945, com apresentações em aniversários, mas em pouco tempo se tornou o melhor da cidade, tanto que Ademar de Barros, que por aqui esteve em campanha eleitoral para a presidência da República, o convidou para se apresentar em São Paulo. Os componentes do grupo, por serem estudantes e não ambicionarem viver profissionalmente da música, declinaram do convite. Participaram da festa de inauguração da Rádio Difusora, antecedendo a apresentação de Orlando Silva, o “cantor das multidões”; e da inauguração do cine Éden. Eram contratados exclusivos do Atlético Rio Negro Clube, se apresentavam no programa de auditório da Rádio Difusora e nos espetáculos ao ar livre da Festa da Cidade.  Os “Cancioneiros da Lua”, para a tristeza dos fãs, deixaram os palcos da cidade em 1952, no auge e prematuramente.

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