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16 de dezembro de 2014 às 09:14.

Deputado Estadual Chico Preto

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1)     O Sr. será candidato a prefeito ou a vereador nas eleições de 2016?

O Partido da Mobilização Nacional (PMN) tem se posicionado nacionalmente e também no âmbito estadual no sentido de apresentar candidaturas majoritárias para fortalecer a legenda e explicitar o programa partidário. Em 2016 vamos buscar fazer articulações nos municípios e na capital para criarmos musculatura e competitividade. Do ponto de vista pessoal, como presidente regional do PMN, irei priorizar a candidatura de filiados nos municípios para as câmaras municipais e prefeituras. Tenho a intenção de submeter meu nome aos correligionários para disputar a eleição, mas há muita coisa a ser definida. A única certeza é que teremos candidatos a vereadores e prefeitos em 2016, incluindo em Manaus.

2)     A Assembleia Legislativa é o retrato fiel da sociedade amazonense?

Acredito que é o retrato fiel da forma de se fazer política atualmente. O voto é praticamente distrital ou quando não é pulverizado a partir de acordos políticos e, não raro, financeiro. Defendo a reforma política imediata, com o fortalecimento dos partidos e de seus programas, do fim da reeleição e de uma maior fiscalização para o uso e abuso da máquina pública.

Do ponto de vista da representatividade, acredito que a Assembleia Legislativa representa sim a sociedade amazonense, que carente de lideranças e programas consistentes, se vincula ao toma lá dá cá, ao resultado mais imediato ou ainda acaba sendo manipulada. Porém, vale ressaltar que uma parte do eleitorado vota e acredita no seu voto ideológico. Temos que aperfeiçoar as propostas partidárias e a qualificação de pessoas que poderão vir a ser nossos representantes.

3)     Qual a ação política mais importante do seu mandato?

Sem sombra de dúvidas foi impedir que o governo do Amazonas fosse tungado em 200 milhões de reais no apagar das luzes do governo Omar Aziz e no início do governo José Melo. Um esquema milionário de precatórios com a Andrade Gutierrez que serviria para reforçar o caixa da campanha eleitoral e enriquecer mais pessoas à custa do esforço da população. Se não tivesse proposto o Projeto de Lei que aumenta o investimento no setor primário de forma permanente; as diversas leis que melhoraram a vida das pessoas com deficiência e ainda a regulamentação da atividade dos bombeiros civis, só esta questão do precatório já teria valido. São 200 milhões que estavam prontos para desaparecer do cofre do estado. Na campanha, o candidato José Melo mentiu, disse que ele mandou suspender o pagamento. Na verdade, ele foi obrigado pela justiça a cancelar o pagamento, graças a uma ação que impetramos. Isso nos remete a questão anterior. Uma forma de fazer política enganando e iludindo a população. E enriquecendo muita gente.

4)     Qual a sua opinião sobre as elites políticas no Amazonas nos últimos 40 anos?

Em primeiro lugar não podemos cometer o erro de ser maniqueísta, de ser binário e dizer que ninguém presta ou todo mundo presta. Nos últimos 40 anos vimos muitas coisas acontecer neste estado. Dentre elas, muitas coisas ruins mesmo. Mas não podemos esquecer da Universidade do Estado do Amazonas, do Projeto do Prosamim, da Fundação Cecon, do projeto inicial do Ronda no Bairro. Temos referencias de muitas coisas que deram certo também, apesar dos políticos. O termo elite me soa pejorativo. Estou na política há 18 anos e nunca tive um processo, nunca me envolvi em escândalos e muito menos enriqueci. Considero que fiz um trabalho consistente na convivência com os governantes. Porém, nunca abaixei a cabeça e nem fui subserviente. Sempre busquei independência. Estamos num franco processo de renovação. Minha visão da elite política nos últimos 40 anos é que ela teve muitos erros, alguns acertos, mas que agora precisa sair de cena e permitir que novos nomes e uma nova geração, mais preparados política e tecnicamente, possam conduzir esse Estado para o século XXI.

5)     Qual o setor da administração pública estadual que mais apresentará problemas em 2015? E porquê?

Eu acredito que a Saúde será a área que mais apresentará problemas. São muitas terceirizações. A saúde virou um negócio. E lucrativo. Médicos e profissionais de saúde são humilhados pela falta de diálogo, condições de trabalho e acabam assumindo a responsabilidade de responder pela falta de tudo lá na ponta. O Governo falou em interiorizar a saúde. Não acredito. Só em 2014 deixará de investir quase 400 milhões. A previsão de investimento na área de saúde para 2015 é menor do que em 2014. Se a população tivesse a mesma paixão em acompanhar, de fato, as ações do governo quanto ela tem em época de campanha para defender o seu candidato, o governo teria grande dificuldade em se explicar. Porém, quando depende apenas dos deputados estaduais para a fiscalização, o governo passa como um rolo compressor e aprova o que quiser. Poucos são os que se posicionam com independência e criticamente.

6)     Qual é o político que, ao longo da sua carreira, mais lhe decepcionou ideologicamente?

Certa vez o ex-governador e senador Gilberto Mestrinho me disse que eu deveria esperar uma única coisa dos políticos: eles iriam me trair e descumprir acordos. Levei isso comigo e jamais esperei que alguém fizesse algo por mim. Tenho que lhe dizer que, ao longo de minha carreira, o que vivi era esperado. Sempre acreditei nas decisões que tomei e nas pessoas com quem convivi. Quando não me senti mais parte de um grupo ou representado por quem liderava porque as diferenças se tornaram inconciliáveis, mudei. Aliás, foi exatamente isso que deixou muito cacique de pena em pé. Nunca me submeti a eles. Defendi os projetos que achava melhor para a população, mas nunca me furtei a criticar o que achava errado, ao ponto de sair dos partidos e grupos políticos, sempre pela porta da frente. Não tenho compromisso com o erro. Sempre pensei com minha cabeça.

7)     Quais suas expectativas para o ano 2015, considerado todos os cenários (nacional, estadual e municipal)?

O ano de 2015 será um ano de trabalho, de muito trabalho. Vai ser um ano de ajustes no plano nacional, com forte impacto na classe política com os escândalos de corrupção que, ao que parece, podem alcançar políticos de grande peso. Precisaremos de muito diálogo e compreensão. Mas também de ação. Haverá um campo fecundo para mudanças.

No plano estadual a fiscalização deverá ser redobrada. O governo vai querer pagar a conta de uma campanha eleitoral cara e muito acirrada.  O orçamento apesar de maior em arrecadação, vai ter uma redução em algumas pastas. Muita coisa que foi prometida em campanha e que levou a população a dar um voto de crédito não deve ser implementada. Precisamos cobrar isso.

E no plano municipal a prefeitura vai tentar ajustar as contas, pagar uma campanha cara de eleição de um deputado federal e começar a fazer os acordos para se viabilizar para uma reeleição.

8)     Cite um fato inédito da última eleição que vale a pena ser revelado hoje.

Apesar de não ser inédito, dois fatos chamaram a atenção. O primeiro foi a ausência de resposta dos contratos do Ronda no Bairro, que apesar das graves denúncias que fiz, nunca foi revelado ao público. Paga-se ainda hoje por um contrato de mais de 300 viaturas e não se tem ele cumprido em sua integralidade.

Um outro fato foi o maior estelionato eleitoral que o Amazonas já viu. Um candidato que se disse mudança, que acusava todo mundo de desonesto e se dizia o único diferente, chegou ao final da campanha com processo que responde de fato revelado, após três dias o final do primeiro turno já estava apoiando aqueles que o financiavam e levou quase 180 mil pessoas a acreditar num discurso falso de mudança.

9)     O Sr. acredita que poderá haver um 3º turno na eleição estadual com o julgamento das ações existentes futuramente no Tribunal Superior Eleitoral?

Não. A eleição terminou. Não acredito que haja mudanças via judiciário. Aliás, não seria nem saudável, ainda que seja oposição ao candidato vencedor. Precisamos que a justiça amplie são os mecanismos de fiscalização antes e durante a campanha eleitoral. Sou a favor da reforma política e pela escolha soberana e democrática pelo voto. A vida que segue.

10)  Como o Sr. pretende atuar politicamente em 2015?

Com o término do meu mandato em janeiro de 2014, irei continuar atuando politicamente como presidente regional do PMN. Sou um ser político, independente de estar ou não com mandato. Vou estabelecer bases em municípios, ampliar a discussão da reforma política e das questões próprias do Amazonas e de seus municípios. Vamos lançar candidaturas em 2016 e, para tanto, todo o processo começa imediatamente. Em 2015 o PMN será consolidado e em 2016 será uma grande aposta no cenário político amazonense. Quem viver, verá.

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