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1 de fevereiro de 2017 às 08:00.

Mestrinho coloca lenha na fogueira

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A igreja chegou a ter a sua lotação máxima, devido ao grande afluxo de estudantes. Enquanto estes permaneciam dentro da igreja, policiais militares armados de fuzis cercavam o local por ordem do governo. Quando o ato se encerrou, os jovens saíram em pequenos grupos, de quatro a seis pessoas, seguindo recomendação dos parlamentares que participaram do evento, como os deputados Mário Frota, Félix Valois e João Pedro e o vereador Sebastião Reis.

Durante o dia, a Secretaria de Segurança havia executado um forte esquema de policiamento em locais como as praças São Sebastião, Nossa Senhora de Fátima e Matriz. “Desde as primeiras horas da tarde, os logradouros públicos ficaram completamente guarnecidos. Qualquer pessoa que tentasse penetrar no interior das praças era imediatamente impedida, sob a alegação de que nenhum civil poderia ingressar na área por motivo de segurança” (Jornal do Commercio de 07 de outubro de 1983, p.04).

No dia seguinte, os jornais louvam o fato de não terem sido registrados novo tumultos. “Mestrinho anuncia que Amazonas volta a ter paz“, “Ato litúrgico realizado com ordem e tranquilidade“, “Mestrinho agradeceu a compreensão geral“, foram algumas das manchetes do dia.

Gilberto Mestrinho havia dado uma entrevista coletiva à imprensa, na qual agradeceu “a colaboração do povo e o bom senso dos manifestantes” em cancelar o evento em praça pública (…). O governador aproveitou para taxar as lideranças do movimento como “pessoas contra o meu governo, contra o presidente Figueiredo e contra o processo de abertura política” (A Crítica de 7 de outubro de1983 p. 02).

Com o movimento estudantil resignado pela impotência diante de um Estado repressor, o caso poderia ter se encerrado aí. Mas, Mestrinho colocou lenha na fogueira ao fazer publicar mais uma nota oficial de seu governo. Desta vez, o governador mirou sua artilharia na direção de Luiz Frederico Mendes dos Reis Arruda, professor da Universidade do Amazonas. Publicada na primeira página de A Notícia, em 7 de outubro de 1983, a nota trazia anexado o fac-símile de uma nota fiscal da venda de um rifle calibre 38 em nome do docente, e a reprodução do registro de tal arma na Secretaria de Segurança Pública, além da insinuação de que Arruda planejaria fazer “uma vítima, de preferência estudante secundário“.

À tarde deste mesmo dia, alunos, professores e funcionários da universidade, além de representantes de outras entidades – como o Sindicato dos Professores – reuniram-se no pátio do Instituto de Ciências Humanas e Letras para protestar contra a nota de Mestrinho. O primeiro a se manifestar foi o próprio professor Frederico Arruda, que considerou as acusações do governador um “acinte” à sua pessoa.

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