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26 de dezembro de 2016 às 08:00.

Para fugir da agressão da PM, estudantes se refugiam na igreja

No dia 4 de junho, estudantes, professores, líderes sindicais e políticos realizam um ato público na Praça São Sebastião, seguido de uma passeata até a sede do MEC no Amazonas, na Rua Joaquim Nabuco, da qual participaram cerca de 1.500 pessoas, segundo A Crítica.

A passeata foi absolutamente pacífica e se desenrolou sem incidentes. Um representante da Uesa denunciou que a diretoria da Escola Técnica Federal havia trancado os portões da instituição na tentativa de impedir que os estudantes secundaristas prestassem sua solidariedade aos universitários no evento (A Crítica de 5 de junho de 1981, p.1 e 03).

Nas palavras da redação de A Notícia, “a paralisação das atividades curriculares dos universitários amazonenses, desacreditada por uma grande maioria, acabou se realizando num clima de muita responsabilidade. Mesmo os carros policiais, os agentes da Polícia Federal e outros instrumentos de repressão usados não foram suficientes para impedir a manifestação ou transformá-la em bagunça ou atos de violência”. Os líderes do movimento gritavam aos manifestantes: “não aceitem as provocações, vamos com calma, este é um movimento democrático” (A Notícia de 5 de junho de 1981, p.05). Nesse mesmo dia, o manauara passou a pagar mais caro a tarifa de transporte coletivo, que subiu de Cr$ 15,00 para Cr$ 16,00.

Em julho, a defesa da meia-passagem volta à pauta das entidades estudantis. A União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (Uesa) distribui nota repudiando as “manobras processadas pela Empresa Municipal de Transportes Urbanos (EMTU), tal como a mudança irregular do horário de venda dos passes e cadastramento para obter a meia-passagem nos ônibus“. A EMTU havia restringido a venda dos passes entre 7h e 14h, período no qual os estudantes encontravam-se em aulas. A demanda dos secundaristas era de que a comercialização fosse feita pela manhã, entre 8h e 12h, e pela tarde, das 14h às 18h (A Crítica de 2 de julho de 1981, p.05).

Naquele mês, é lançado o Manifesto Secundarista, um órgão informativo apresentado como porta-voz dos estudantes amazonenses, “ouvindo-os e divulgando a importância da participação política do estudante do Amazonas“. O Manifesto Secundarista é uma criação da primeira diretoria eleita da Uesa desde 1969, quando a entidade havia sido proscrita pelo regime militar (A Crítica de 14 de julho de 1981, p.05).

Em meados de agosto, a Uesa lança uma convocação para um ato público, a ser realizado no dia 28 daquele mês na Praça de São Sebastião, contra o aumento abusivo das passagens de ônibus e em defesa do “passe-único ilimitado” – que daria ao estudante o direito de usar o passe em qualquer empresa e comprar a quantidade que desejasse. O presidente da entidade, Vicente Filizola, afirma que “o novo passe traria benefícios aos alunos que, por morarem longe do colégio, precisam tomar mais de uma condução, utilizando duas empresas de ônibus, e que atualmente só podem adquirir passe para uma das empresas” (A Notícia de 14 de agosto de 1981, p.08).

No dia do ato público, quando cerca de trinta estudantes se aglomeravam na praça, a Polícia Militar investe contra os manifestantes. Para fugir da agressão, os jovens procuram refúgio dentro da igreja, “onde a tropa os perseguiu, de armas na mão, prendendo dez deles e disparando alguns tiros. Vasos sacros e altares foram danificados“. Entre os agredidos pela PM, encontrava-se o então diplomata Artur Virgílio Neto, que se encontrava no local para proteger os estudantes. O senador Evandro Carreira (PMDB) acompanhou dez manifestantes que foram presos, indo até à delegacia dentro de um camburão (A Crítica de 29 de agosto de 1981, p.01 e 07).

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