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8 de fevereiro de 2015 às 09:30.

Série Especial – Movimento da Discórdia Baré (MDB)

O ESQUIZOFRÊNICO

O quadro patológico exibido pelos alcoólatras, na evolução inexorável para a destruição moral e física dos indivíduos tem preocupados médicos, psicólogos, sociólogos, religiosos, governantes, atentos aos malefícios causados pelo álcool no organismo dos que ingerem imoderadamente, suscitando repercussões antissociais perigosas que levam à loucura, ao crime e à morte quase sempre prematura.

Penitenciárias, em todo o mundo, no registro frio dos números, albergam dentro de suas muralhas milhões de assassinos, estupradores, assaltantes a mão armada e outros delinquentes, levados ao crime pelo estímulo negativo do álcool. Alguns desses criminosos, covardes, congênitos, só se tornam agressivos por meio de atos ou ações, atiçados pela bebida devastadora.

Outro não é o confrangedor espetáculo dos hospícios, soturnos asilos de degenerados onde perambulam, inspirando comiseração, os “imperadores romanos”, “os famosos artistas do passado e do presente”, “os hitleres”, “os napoleões”, outras personalidades das letras e da política.

E de um desses últimos que me vou ocupar, constrangido e penalizado, analisando no contexto dos que caíram nas malhas terríveis do alcoolismo degenerescente. Faço-o afim de que os leitores deste jornal confrontem o que já escrevi e vou escrever, com a triste figura desse trapo humano, física e moralmente, que se chama Fábio Lucena.

O álcool começa por provocar o depósito de gorduras nas paredes dos vasos sanguíneos do indivíduo ocasionando o que os especialistas denominam de aterosclerose, ou seja, a diminuição da circulação sanguínea, seguido pelo aumento de bílis no movimento sanguíneo e de acúmulo também de gorduras, no fígado, dando início à mortífera cirrose hepática.

No desdobramento do processo, com a diminuição da oxigenação das células cerebrais, surge o embotamento, a queda vertiginosa do QI e da capacidade de raciocínio e fase de alucinações. O alcoólatra cria, então, o seu próprio mundo, irreal mas ideal para ele, onde passa a vegetar na explosão da esquizofrenia alcoólica de caráter irreversível, portanto incurável.

Atingido esse nível de deterioração mental, o esquizofrênico é envolvido pela mania de perseguição: não existem amigos verdadeiros e sim falsos amigos ou oportunistas, rodeando-o apenas inimigos: não existem princípios e ideias aceitáveis que não sejam os dele, nada prevalece fora do seu universo fictício.

Aí está o retrato falado do louco que já investiu contra quase todos os políticos desta terra, inclusive alguns que lhe mataram a fome e contribuíram, embora não o fizessem deliberadamente, dando-lhe dinheiro, para que ele saciasse o vício que o domina e aniquila. A lista é longa, infindável. Nesta eu e Arthur Virgílio Neto, agora, fomos incluídos.

Recuso-me a descer à esterqueira aonde Fábio Lucena está confinado pela esquizofrenia. Se, provocado pelos torpes insultos por ele lançados, sem razão plausível, sobre meu filho, estou na liça, não é a ele que me dirijo, pois ele não merece atenção de gente séria e honrada. Afora a justa e compreensível indignação do pai realizado que se orgulha do filho a se impor, pela cultura, pelo bom senso, pela firmeza de suas convicções e coragem em proclamá-las, à admiração e ao respeito dos conterrâneos e patrícios dignos, entre os quais não poderia figurar um demente, também desonesto e ávido por dinheiro sujo na sua inconsequência e desequilíbrio, os altos interesses do Amazonas e a grandeza de sua representação impõem que eu concorra para impedir a humilhação desta comunidade de ver o energúmeno guindado à Câmara Federal ou ao Senado da República.

E isto eu o farei, sereno e impávido, sem manejar a indignidade, arma dos infames. Tentarei alertar os desavisados, prevenir os de boa fé, arregimentar os honestos, já agora como vítima juntamente com Arthur Virgílio Neto, expondo fatos, exibindo algarismos, invocando testemunhos indesmentíveis.

O patrimônio moral que construí ao longo de minha vida jamais será destruído por um louco. Resistiu inteiriço, incólume, imaculado às devassas pós-abril de 1964 e isto diz tudo. Esmerou-se a chamada revolução visando a colher-me na imensa rede que lançou sobre o país para a execução dos princípios proclamados como básicos pelos líderes do movimento, entre os quais o de condenar os corruptos. Não fui preso, não respondi a só IPM, não fui chamado a prestar qualquer esclarecimento sobre minha atuação como homem público, quer no âmbito federal, quer no estadual. E não sou um mequetrefe qualquer como o demente Fábio Lucena, que na sua demência, não conseguiu ser mais do que um vereador odiante e odiado, mentiroso, caluniador, sórdido. A mim, e também a Fábio Lucena, não cabe a apreciação do critico contundente: “Fácil, facílimo o cidadão se dizer honesto quando não se lhe apresentou oportunidade para ser desonesto”. A mim porque milhões, bilhões de cruzeiros dependeram, muitas vezes, do meu voto ou assinatura e eu entrei e saí pobre da política. O louco, entretanto, apesar de nunca haver tido oportunidade para demonstrar que é honesto, e não o seria se para desgraça dos dinheiros do contribuinte surgisse um ensejo, tem faturado desonestamente usando o mandato com gazua.

Deposto o Presidente Constitucional em 1964, me foi oferecido um lugar de destaque entre os vitoriosos. Recusei-o. Até a arbitrária cassação do meu mandato de Senador, como o próprio louco reconhece, mantive-me irredutível no enfrentar o arbítrio implantado como norma de governo. Os anais do Senado registram meus discursos e, ontem como hoje, desafiei e desafio, não a um infeliz e degrado vereador, mas o Presidente da República, o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, responsáveis pela ação militar que depôs o Presidente João Goulart, os órgãos de segurança e informação, o Governador do Amazonas e seus Secretários, a me imputarem um só ato de corrupção, ou de condescendência com a corrupção, remoto, recente ou atual.

Quem fala com esse desassombro, vivendo ainda sob uma conjuntura imprevisível, vigendo que então “salvaguardas” que substituíram quase integralmente o famigerado Al-5, não posso temer, nem me sentir molestado, com aleivosias de um sujeito que há muito deveria estar judicialmente interditado, nos termos do nº 11, art. 5º, do Código Civil. Sobretudo por isso, porque partem de um louco, digno de compaixão humana, que em 1978, em plena Convenção do MDB, perante centenas de pessoas, fez os mais desbragados elogios à minha libada conduta politica e pessoal, repetindo o que disse perante o eminente deputado Ulysses Guimarães e outros líderes do PMDB. De um louco que, aí reconheço, por ser louco, achaca sob o embuste de campanhas moralizadoras a fim de poder satisfazer o vício que lhe corrói as entranhas e o cérebro, consumindo cerca de três garrafas de uísque por dia, ou seja, mais ou menos noventa mil cruzeiros por mês.

Desculpe-me os amigos e generosos admiradores que, nestas vinte e quatro horas, me têm manifestado solidariedade, alguns aconselhando-me a não dar atenção a um desclassificado moral e doente. A todos respondo que não é por ele que estou e continuarei nas colunas deste jornal. Assumo, tão somente, um compromisso com o povo amazonense: concorrer para livrá-lo do comportamento deletério de um louco.

Tranquilizem-se, outrossim, os que se preocupam por admirável solidariedade humana, com a integridade física do exterior do energúmeno. Há dois motivos ponderáveis a conter qualquer pessoa sensata atingida pelos miasmas de Fábio Lucena. Ele não é homem para atitudes de desforço pessoal. Pode alguém dizer dele o que quiser, ultrapassá-lo nas invectivas, fustigá-lo impiedosamente, que seu rosto se iluminará de esgares, que são o sorriso dos loucos. Vaja-se um exemplo, entre muitos. Fábio Lucena foi vergastado na cara por um cidadão realmente corajoso, ficou com a marca do castigo e ainda escreveu ao ex-Senador Flávio Brito pedindo sua interferência, junto ao justiçador que fora insultado e difamado, para que contentasse com o que já fizera. A resposta a essa missiva chorosa e pusilânime, foi redigida pelo jornalista Leandro Antony, então assessor da Federação da Agricultura, e os três, Flávio Brito, Leandro e o justiçador, felizmente estão vivos.

O segundo motivo é que, da mesma forma como eu não iria ao manicômio “Eduardo Ribeiro” para exemplar qualquer daqueles infelizes que na sua insânia, me cobrisse de impropérios, não me aproximarei de Fábio Lucena para nada, incluído nesse nada o desejo de agredi-lo. Vou destruí-lo, mas de outro modo.

Arthur Virgílio Filho

Transcrição do Jornal A Notícia de 27 de janeiro de 1980.

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