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9 de fevereiro de 2015 às 09:30.

Série Especial – Movimento da Discórdia Baré (MDB)

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PERFIL DE UM DEGENERADO

Fábio Lucena

Tenho por lema não sacar minha espada contra facão de bandido. A espada, notadamente a da palavra escrita, é uma arma nobre, enquanto o facão, além de envilecer os que usam, é costumeiramente usável pelos degenerados de todo o gênero. Mas o Sr. Arthur Virgílio Filho não é um bandido comum: é um meliante de longo curso, que conseguiu unir, durante sua existência octogenária, a desonestidade com  a degenerescência moral.

Desonesto, degenerado, ímprobo, incontinente, escandaloso, amante dos jogos suspeitos, desde menino rompeu com a decência e há cerca de 10 anos vive num charco de amoralidade, escutando as gravações dos discursos dos seus tempos de senador, sofrendo de banzo incurável, não daquele que atacava os passageiros infelizes dos navios negreiros, mas de outro que só teve um similar no Amazonas: aquele que contagiou o lendário fracasso e o levava a montar num caixote na esquina da Av. Eduardo Ribeiro, onde pronunciava já velho e maltrapilho, discursos intermináveis perante a piedade de uma assistência comovida.

ROSÁRIO DE INDECÊNCIAS

A biografia do ex-senador Arthur Virgílio é um rosário de indecência. Foi ele quem destruiu politicamente, quase levando-o ao suicídio, o ex-deputado e ex-vereador, saudoso José Francisco da Gama e Silva. Gama e Silva assumiu o governo, num impedimento de Álvaro Maia. Foram tão sórdidas as manobras de baixeza de Arthur Virgílio que, após a traição a Álvaro Maia, que o havia alçado, com seu braço generoso, na vida pública, terminou por ficar com o controle da administração estadual. Em poucos meses a corrupção assaltou tanto o Amazonas que fez inveja aos tempos do governo Rego Monteiro. O funcionalismo público foi levado ao desespero: o dinheiro do Estado era escandalosamente desviado para Virgílio e seus amigos. Resultado: Virgílio possui hoje apartamentos no Rio de Janeiro, em Brasília (no Rio, ele comprou apartamento numas das zonas de Copacabana em que o metro quadrado é o mais caro do mundo) e, quem sabe, no exterior!

CHINESES DE 64

No dia 31 de março de 1964, Arthur Virgílio era líder de João Goulart no Senado. Goulart foi expulso do Brasil. Virgílio, para não ser cassado, agarrou-se às polainas do comandante do II Exército, General Amaury Kruel, e às lapelas de outros senhores da nova ordem. Foi assim que escapou da cassação, aliando-se, pelos futuros 5 anos, com os algozes do seu antigo senhor.

Naquele mesmo ano, os jornais do Rio de Janeiro acusaram Arthur Virgílio de haver recebido Cr$ 600.000,00 (seiscentos mil cruzeiros), de modo espúrio, no famoso episódio da prisão dos 9 chineses, acusados de espionagem, pelo sistema de caça às bruxas que se seguiu ao ato de força de 31 de março de 1964. Até hoje o degenerado não contestou essa grave acusação, que a rigor, é a mais branda que pesa sobre seu passado escabroso.

É esse, em parte, o perfil do degenerado que, gratuitamente, veio agredir-me na suposição de que eu não viria esvurmar todo o seu caráter mefítico, pois não foi a ele que eu me reptei para a polêmica (até por ser, da minha parte, um ato de covardia atacar um moribundo que vive eternamente dopado de cocaína e que está no fim da vida) mas ao filho dele, Arthur Neto, funcionário do Itamarati (Ministério das Relações Exteriores), onde só se ingressa com autorização do SNI.

É esse, em parte, o perfil do degenerado que ameaça combater-me, de porta em porta nas eleições vindouras. Ora, para combater-me é preciso, no mínimo ser honesto. No mínimo será necessário que o Sr. Arthur Virgílio apresente um atestado do DOPS do Rio de Janeiro que o inocente na questão dos SEISCENTOS MIL CRUZEIROS do episódio dos chineses, sendo de se salientar que, há quinze anos – dezesseis, aliás – se submetida à correção monetária, essa importância valia incalculável fortuna, daí ter o Sr. Arthur Virgílio condições financeiras de levar uma vida de nababo, regada a cocaína e a constantes internamentos em clínicas geriátricas do Rio e de São Paulo, com o que supõe compensar sua decrepitude degenerada.

É esse, em parte, o perfil do degenerado senil, que há muito se amancebou com o ócio, isto é, com o pai de todos os vícios, que arrecadam sobre a atividade do ocioso, conforme Rui Barbosa, quatro espécimes de impostos: a perda do tempo, a perda do estímulo, a perda da saúde e a perda do dinheiro. Apenas a perda do dinheiro escapa essa sinistra formulação tributária, pois por mais que desbarate dinheiro, o decrépito ocioso jamais esvaziará suas arcas, que começou a enche-las com suas traições  a Álvaro Maia, a Gama e Silva, com sua passagem pelo cartório dos Feitos da Fazenda e os famosos sumiços do dinheiro das ações executivas, pela tesouraria da Assembleia Legislativa, pelo controle do Governo Estadual, pela camarilha de pelegos do dealbar dos anos 60, quando o dinheiro do Imposto Sindical (um dia de trabalho cobrado compulsoriamente a milhões de trabalhadores para alimentar os pelegos dos Sindicatos e determinados lideres políticos da época, que manipulavam os pelegos e eram pontas-de-lança entre eles e o Governo Federal), pela assessoria da AMAZONLAR que obedecia à direção do presidente da ARENA, etc.

Vê-se, assim, que a ociosidade viciada do pelego decrépito e degenerado tem um sarcófago cravejado de ouro para homiziá-lo.

CRIMINOSO IRRECUPERÁVEL

Depoimentos por mim colhidos para este trabalho de informação à minha geração, ancoraram num jornal que há muito existiu em Manaus: “A Gazeta”, de propriedade do ex-escrivão dos Feitos da Fazenda. Foi o pasquixo (talvez o pioneiro dos pasquixos, isto é, mistura de pasquim com lixo) mais sórdido que houve no Amazonas. Instilou na cidade a degradação moral, produto do caráter miasmático do Sr. Arthur Virgílio.

Aldo Moraes, jornalista e escritor, homem bastante conhecido da geração de Arthur Virgílio, um pouco mais moço que este, saudosa memória, falecido na respeitável idade de 79 anos, foi certa vez tão injuriado e difamado pelo jornal do múmia depravado que não teve outra alternativa: armou-se de um revólver, telefonou para Arthur Virgílio e informou-o de que iria mata-lo. O múmia corrompido desligou o telefone e desceu, correndo as escadas do jornaleco, mas, à saída, Aldo Moraes já se encontrava do outro lado, na calçada do Bar Avenida, hoje Bradesco da Eduardo Ribeiro. Aldo encurralou o múmia que se escondeu por detrás de um carro até que se esqueceu (naquele momento, a covardia provocou-lhe prisão de cérebro) de que também portava um revolver à cintura. Somente quando a arma de Aldo descarregou, foi que o múmia decrépito ficou valente e covardemente começou a disparar contra o homem que, àquela altura , já se achava desarmado. Muito tempo depois, senador da República, foi lamber os pés dos militares aqui em Manaus, lá em São Jorge, depois de haver abandonado os colegas do antigo PTB que eram tragados pela repressão.

Soube então, que seu velho inimigo Aldo Moraes estava preso no quartel que ele fora “visitar”. Com o ânimo de humilhar o velho desafeto, conseguiu que o levassem até a cela de Aldo Moraes. Lá também estávamos eu e diversos presos políticos. Do alto de sua grandeza moral, Aldo recusou a estender as mãos para o visitante hipócrita!

É verdade que ele me visitou em setembro de 1974. Mas me fez outra visita: em fevereiro de 1975, quando acusei o dono do jornal “A Notícia” de me haver mandado matar. Foi solidarizar-se comigo e fornecer-me elementos a respeito do dono do jornal “A Notícia”, aos tempos em que este era líder do Governo Arthur Reis, em 1964, para que eu os utilizasse, contra o dono do jornal por mim acusado, em meus artigos pela A CRÍTICA!

Hoje o múmia decrépito e degenerado está lá enquistado!

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

Reptei o Sr. Arthur Neto, filho do ex-senador Arthur Virgílio, em face de mentiras por ele publicadas num jornal local, através de uma entrevista que concedi a A CRÍTICA. O filho calou e veio o pai, em quem jamais toquei, agredir-me pelo mesmo jornal. Teve assim o meu agressor a merecida resposta de ontem, tem-na hoje e tê-la-á amanhã e sempre.

Aviso ainda que não aceito negociações, acordos ou armistícios: o mínimo que posso aceitar é rendição incondicional. E mesmo assim como um caso a estudar. Até amanhã!

Transcrição do Jornal A Crítica de 27 de janeiro de 1980.

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