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20 de fevereiro de 2015 às 09:30.

Série Especial – Movimento da Discórdia Baré (MDB)

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O ESQUIZOFRÊNICO LOUCO – Arthur Virgílio Neto

No dia 19 de abril de 1964, à noite, em meio à tumultuada sessão, o Senador Auro Moura Andrade, Presidente do Congresso Nacional, ignorando deliberadamente o fato de o Sr. João Goulart ainda se encontrar em território brasileiro, declarava vaga a presidência da República. Com o ato, que levou o Deputado Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados, a substituir o mandatário deposto, tornou-se vitorioso o movimento sedicioso incitado em Minas Gerais, sob a chefia dos generais Mourão Filho e Carlos Guedes, aliados ao Governador Magalhães Pinto.

A insegurança e a violência indiscriminadas, a partir de então, cobriram o Brasil do Oiapoque ao Chuí. A capacidade carcerária das penitenciárias, de prisões de delegacias de polícia, por motivo que, no momento não vem ao caso discutir, transformaram-se em amontoados de homens e mulheres, jovens de meia idade, idosos espremendo-se em espaços que não lhes permitia dormir deitados. Lares, às dezenas deles foram arrancados, de dia ou alta madrugada, líderes sindicais, operários, funcionários, estudantes, intelectuais; governadores foram depostos, parlamentares, constitucionalmente garantidos, foram recolhidos a enxovias. Até os Regulamentos militares, instrumentos legais de coerção à indisciplina, preservação da hierarquia e respeitabilidade dos integrantes das três Armas, estão constituindo argamassa insubstituível para garantir a paz e ordem internas e a segurança nacional foram afrontados; Marechais, pelo menos um deles, Osvino Alves, foi detido por beleguins policiais quando só outro Marechal poderia fazê-lo; um capitão tentou prender o Marechal Lott e foi repelido.

Sob o império do terror desatado, admissível, para argumentar como excessos iniciais emergentes de uma situação anormal, quase sempre registrados em movimento armados semelhantes, mesmos incruentos como foi o de 1964, no dia 4 de abril recebi telefonemas de um amigo alertando-me sobre o envolvimento do meu nome com a detenção, pela polícia da ex-Guanabara, de chineses comunistas que se encontravam no Rio. Eu e outros, Senadores, Deputados, jornalistas.

Desconhecia a presença desses chineses no Brasil. Recebi a informação com a indiferença dos que têm a consciência tranquila, pilheriando: “Olha, só conheço um chinês de seis ou sete anos, o Young, colega de curso elementar do meu filho Ricardo Arthur”. Depois despertei para a gravidade da imputação naqueles momentos de exaltação, de paixões, de explosões, muitas vezes, de vinditas torpes. No meu ligar o esquizofrênico alcoólico Fábio Lucena, talvez o único louco entre todos os loucos do mundo que é um poltrão, não teria sabido o que fazer.

Enderecei então o telegrama ao General Amauri Kruel, comandante do II Exército:

“General Amauri Kruel – Comandante do II Exército – São Paulo – Dirijo-me ao eminente General vitorioso somente porque, reconhecendo sua formação militar e sua integridade moral, por mim, aliás, defendidas quando Deputado Federal, espero que minhas palavras encontrem guarida na nobreza do seu caráter. Não permite, ilustre chefe militar que o seu triunfo seja enxovalhado pelas vinditas torpes, pela indignidade do desrespeito dos adversários vencidos, pela violação de lares, pela afronta à dignidade humana. Tudo isso está acontecendo no Rio, São Paulo e em outros Estados de onde foram varridos todas as garantias e todas as liberdades. Há apreensão, lágrimas e revolta em muitos lares, há filhos e esposas quem não sabem onde estão seus pais, há enxovias repletas de homens que não cometeram nenhum crime. Não serão esses alicerces sobre os quais se assentarão a paz e a união de que o Brasil tanto carece para alcançar seus gloriosos destinos e não é essa a tradição de grandeza das revoluções vitoriosas em nossa pátria. A infame polícia do Governador Carlos Lacerda, por exemplo, está me acusando, segundo irradiação da Rádio Globo, de mancomunação com chineses que estariam no Rio com missão subversiva e de cuja existência só agora tomo conhecimento. Trata-se de sórdida vingança de um homem sem entranhas, que tem um crápula como chefe de polícia, servindo-se da calúnia e da farsa para destruir-me. O eminente General me conhece bem, sabe que sou um patriota e democrata que nunca aceitou e nunca aceitaria a doutrina comunista, porque sempre lutou pela democracia e pela liberdade. Não estou pedindo clemencia. Não. Continuo tranquilo e impávido na minha posição, repetindo que não pagarei o altíssimo preço da omissão, do silencio, da desonra pela minha liberdade. Exijo apenas Justiça dos homens que em seu nome dizem haver feito a revolução e também procuro impedir que a história estigmatize as Forças Armadas se consentirem que a revolução sirva aos apetites inconfessáveis de políticos corruptos e sem formação democrática que querem chegar ao poder espezinhando os direitos dos cidadãos, esmagando com infâmias e violências os seus adversários, imolando a liberdade. Não consinta, com autoridade de quem verdadeiramente decidiu o triunfo da revolução, que isso aconteça. Seu nome ilustre e os de outros dignos chefes militares não podem ficar ligados à responsabilidade pela implantação de uma ditadura sanguinária como as que existem nos países cujos regimes o eminente General e seus camaradas, com tanta firmeza, tanto combateram. Saudações. Senador Arthur Virgílio, Líder do PTB”.

Essa altivez, esse desassombro, quando uma única promessa eu fiz, ou seja, não calar, não esmorecer, não trocar minha honra pelo silencio e pela dedicação do dever de lutar pela liberdade, o degenerado louco classifica de subserviência, depois de, mentiroso, caluniador e difamador irresponsável que é alardear que recebi dinheiro dos chineses presos.

Todos os grandes e pequenos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas, Pernambuco e demais Estados publicaram o telegrama. Vários eram os envolvidos na infâmia – Senadores Arthur Virgílio, Asrão Steinbruck e Aurélio Viana, Deputado Chagas Rodrigues e jornalistas Samuel Welner e Paulo Silveira. Somente eu reagi com a veemência contida no telegrama e nunca mais de falou no assunto.

O alcoólico louco Fábio Lucena, no seu descaramento insano, mentiu ofendendo não a mim, ou menos a mim ao que todos os Chefes Militares que, se transigissem com um ato de traição à Pátria, como seria receber dinheiro estrangeiro para promover uma revolução a fim de submeter o Brasil à China, seriam maiores traidores do que eu ou os demais envolvidos pela calúnia. Vêem os jovens, vêem todos os amazonenses e brasileiros, portanto, a que ponto chega a degradação moral desse trapo humano que é Fábio Lucena. O louco, na insensatez da esquizofrenia que aniquilou sua capacidade de raciocínio para distinguir o bem e o mal, não se detém diante de nada, a não ser face a uma oportunidade que se lhe ofereça de demonstrar que é HOMEM.

Amanhã voltarei com outras provas. O chantagista e achacador das falsas campanhas moralistas e nas quais ninguém mais pode acreditar, porque o insano transformou seu mandato e sua pena em gazuas, se não morrer em breve de cirrose hepática, vai ficar diante do povo como realmente é – uma imundície com trôpega e trêmula forma humana.

Transcrição do Jornal A Notícia de 30 de janeiro de 1980.

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