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28 de janeiro de 2015 às 09:30.

Série Especial – Movimento da Discórdia Baré (MDB)

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FÁBIO LUCENA RESPONDE “AO SERVIÇAL DA DITADURA”

“Ninguém é insuficientemente patife para não se revelar patife no momento exato” – disse ontem o vereador Fábio Lucena, ao comentar a entrevista que o suplente de deputado federal Arthur Virgílio Neto fez publicar num jornal local. Lucena fez logo questão de destacar um aspecto: o jornal “A Notícia”, que veiculou a matéria, só chama de cachorro o senador Evandro Carreira, “tenso inclusive publicado na primeira página a cara de Evandro com rabo de cachorro, roendo um osso”.

“Desejo concordar com o jornal “A Notícia” – disse Lucena -, mas com só uma digressão: Evandro é vira-latas ou cão de fila?”.

DITADURA

Disse Fábio Lucena que o suplente Arthur Neto está acostumado a atacar a “ditadura, o regime militar, a repressão opressiva”, mas se esquece DE PROPÓSITO, de dizer que ele, Arthur Neto, é funcionário da Ditadura – e funcionário da mais alta confiança da Ditadura, pois é membro do Itamaraty, isto é, do corpo diplomático que representa o Brasil no exterior e que, sob a orientação segura da “Ditadura”, conduz as relações brasileiras com o resto do mundo.

“É de estranhar – continuou Lucena – que um cidadão como Arthur Neto, funcionário da Ditadura, da qual recebe todos os meses os seus vencimentos: funcionário da Ditadura à custa da qual viaja pelo mundo, – é de estranhar que cidadão assim ataque os poderosos e, a seguir seja promovido de função no Itamaraty da Ditadura, de duas, uma: Ou Arthur Neto é mero funcionário da Ditadura, ou depende da Ditadura, e está a seu (da Ditadura) serviço”.

CREDENCIAIS

Lucena continuou: “Mário Frota e eu entregamos ao deputado Ulysses Guimarães 16 (dezesseis) credenciais dos extintos diretórios do MDB no interior do Estado. Hoje (23 de janeiro), já dispomos Mário e eu e nossos companheiros, de quase toda a totalidade das credenciais. Evandro (“o senador-cachorro”, segundo A Notícia”) e Arthur Neto não possuem nenhuma. A lei exige 20% dos diretórios municipais para fundar o diretório regional, isto é, exige que no Amazonas, se disponha de 9 (nove) diretórios interioranos para fundar o regional” – explicou Fábio Lucena.

“É verdadeira a versão dada por Arthur Neto, de que nós, Frota e eu, procuramos através dos líderes Ulysses Guimarães e Paulo Brossard, um entendimento com o senador-cachorro, pois verdade igual é a de que queríamos convertê-lo de canino à caprino, ou a suíno. Fracassamos” – afirmou Lucena que salientou: “Da condição de canino é quase impossível arrancar o Evandro”.

RECALQUE

Lucena prosseguiu: “O funcionário de confiança da Ditadura, Arthur Virgílio Neto, nutre um recalque feroz contra o deputado Mário Frota: o recalque consiste no fato de Mário ter tido mais de o dobro da votação de Arthur, depois de que este contou com o apoio de todos os chamados tuxauas de antigamente. Em Itacoatiara, por exemplo, (testemunha: Dr. Félix Valois), Arthur Neto, que tem fama de décimo dan em karatê, mas que parece não conhecer o famoso conselho de Ringo – “Deus fez os homens iguais, mas a pistola os tornou diferentes” – em Itacoatiara Arthur Neto tentou desacatar Mário Frota, a fim de esforço físico. Arthur Neto fez mais: mandou pichar os muros de Manaus com legendas ofensivas à honra de Mário Frota, Damião Ribeiro, Rafael Faraco e João Bosco Ramos de Lima, pichando os quatro como “bichas”. No seu desespero de ganhar a eleição a qualquer preço, o frascáriozinho nada poupou: de tudo usou. O frascário, que é funcionário do Itamaraty, isto é, pessoa da mais absoluta confiança do SNI, usou do prestígio da eminente deputada Beth Azize, a quem hoje o moleque difama. Tendo chegado a Manaus 6 (seis) meses antes das eleições, o moleque se esqueceu de dizer o seguinte: FUI EU QUEM O TROUXE PARA O MDB, fui eu quem abonou a filiação dele no partido da oposição. Isto comprova o seguinte: nunca desejei o partido para mim, pois seria hoje o deputado federal que o moleque não é; preferi a candidatura ao Senado, apenas para mostrar aos detentores do poder que só com o roubo, a corrupção e a fraude é que eles me poderiam tomar a cadeira de Senador. E na minha campanha para o Senado, graças a Deus, não tive apoio do serviçal da Ditadura” – afirmou Lucena.

USOS E ABUSOS

Fábio Lucena continuou: “Ofereci um almoço, no mês de junho de 1978, ao funcionário do Itamaraty em minha residência: na oportunidade, ele candidato a deputado federal, eu a senador, disse-lhe das minhas posições, situações e algumas condições. Não sabia, todavia, que ele vivia usar e abusar dos nomes dos deputados Manuel Diz, Damião Ribeiro, Messias Sampaio, José Costa de Aquino e de outros, para argamassar a sua permanência, como pretendente a deputado federal, ao lado do General Golbery e do chefe do SNI, lá em Brasília”.

Lucena perguntou: Como é que pode um indivíduo que não reside no Amazonas ter aqui um grupo político?”.

Pois bem: o funcionário do Itamaraty e pessoa de confiança de SNI, Arthur Virgílio Neto, NUNCA RESIDIU EM MANAUS. E sente-se com poderes para apresentar três nomes ao diretório nacional do PMDB, sob alegação, confessada por ele, de que ele “possui um grupo político no Amazonas”, onde nunca residiu.

O PATRÃO

“O senador-cachorro”, conforme o jornal “A Notícia”, foi quem levantou a questão do veto que, de fato, eu fiz ao nome do deputado Francisco Queiroz. Mas logo depois, na relação que entreguei ao deputado Ulysses Guimarães, e isto na presença do Arthur Neto e do senador-cachorro, nela se achava, como se acha o nome de Queiroz. Aleguei, de fato e o reafirmo, que Queiroz, sendo inimigo de quem é meu amigo, não pode contar com minha simpatia, nem eu com a dele. Quando o senador-cachorro levantou a questão, o eminente líder Freitas Nobre (testemunha: Arthur Neto) deu-me razão, ao sustentar que, se Queiroz fora vetado, e se constava seu nome da relação que eu acabava de entregar a Ulysses Guimarães, então eu havia revelado real interesse de conciliação”. E foi o que revelei – afirmou Fábio Lucena, que salientou: “Jamais conciliarei com funcionários de confiança do Governo, salvo eles lá e eu cá”.

FÉLIX VALOIS

“O advogado Félix Valois Coelho Junior é meu amigo de infância e meu defensor perpétuo” – disse Fábio Lucena. “Valois já me defendeu em vários processos, nos quais sempre obtive absolvição. No dia 14 de julho de 1975, eu me sentei no banco dos réus da Justiça Militar de Belém do Pará. O corpo de jurados era formado de quatro oficiais do Exército e de um juiz togado. Durante três horas, Félix Valois, da tribuna do júri da qual ele é um mestre, e sob a admiração do mundo jurídico paraense, e ainda sob as rezas de milhares de amazonenses, sustentou magistralmente minha defesa. Resultado: fui absolvido por unanimidade. Ninguém, por conseguinte, vai lançar contra mim meu amado irmão Félix Valois Coelho Júnior, e muito menos quem o tentou envolver numa campanha inglória para o Senado, com o simples objetivo de obter vantagem com a carruagem do nome do advogado ilustre. Nunca ninguém mais vai usar o nome de Félix Valois para se promover. Eu não o permitirei” – disse Lucena.

JOSÉ DUTRA

“Durante vários dias desci o rio Amazonas acompanhando a candidatura do meu amigo José Dutra” – frisou Lucena. “Sacudimos, Dutra e eu, as multidões do baixo Amazonas. De Parintins a Nhamundá, passando por todo o Paraná do Ramos, em dezenas de comícios, deixei, junto com meu amigo Dutra, a mensagem que fez com que o povo me elegesse o seu senador”.

MÁRCIO SOUZA

“O funcionário do Itamaraty e, com certeza, serviçal do SNI, fala no escritor Márcio Souza. Pois bem: transcrevo a dedicatória, do punho de Márcio Souza, que me fez o grande escritor no livro de sua autoria, que me ofertou, aos 18 de maio de 1977, quando o lacaio do Itamaraty jamais se imaginou candidato pelo Amazonas. Escreve Márcio Souza: “Ao amigo Fábio Lucena, eminente vereador do povo amazonense, político que muito honra a oposição, hoje, do Brasil, sobretudo nestes negros momentos de intolerância que a Nação atravessa, com as saudações do Márcio Souza”. (No livro “Galvez, o imperador do Acre”).

MÁRIO ANTONIO

“Grande inteligência, grande cérebro, grande escritor, grande raciocínio e, sobretudo, um grande homem porque um homem solidário, Mário Antonio também foi vítima das verrinas de Arthur Neto, o funcionário do Itamaraty, isto é, do SNI”.

Teria grande estima por ter de fazer a defesa de Mário Antonio mas sei que a tal estima seria inútil: Mário Antonio se defende por ele próprio. Aliás, a gosma do frascário não atinge, nunca, a Mário Antonio, que trabalha para uma empresa privada, o que é verdade, mas que não tem nenhum vínculo com o Itamaraty, nem com o SNI!”.

TERÃO A GUERRA

Afirmou Fábio Lucena que Arthur Neto e a grei do “senador-cachorro” terão a guerra que querem, “embora tenham de enfrentar a guerra que não imaginaram”. Lucena explicou: “Carreira veio da ARENA: em 1966, ele foi candidato a deputado federal pela ARENA: em 1968, candidatou-se novamente pela ARENA, daquela vez a vereador: perdeu ambas as eleições. Hoje o “senador-cachorro” se uniu aos janotas que se banhavam em Copacabana e em outras praias do mundo, por conta do Itamaraty, enquanto eu e meus companheiros fazíamos oposição. Terão a guerra. Tê-la-ão como nunca a imaginaram” – concluiu Lucena.

Transcrição do Jornal A Crítica de 23 de janeiro de 1980, p. 07.

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