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31 de janeiro de 2015 às 09:30.

Série Especial – Movimento da Discórdia Baré (MDB)

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ARTHUR VIRGÍLIO FILHO: “FÁBIO É POLTRÃO, PATIFE E COVARDE”

O ex-senador e ex-líder do governo João Goulart no Senado, Arthur Virgílio Filho, em entrevista exclusiva à A NOTÍCIA, disse ontem, que as ofensas assacadas pelo vereador Fábio Lucena contra seu filho, o político Arthur Virgílio Neto, não ficarão sem resposta e nem será ele o último a sorrir. O ex-senador amazonense devolveu os adjetivos de patife e frascário ao vereador, chamando-o de desequilibrado e condenando o que denomina “luta de retaliações pessoais”, no momento em que a Nação mais precisa de uma oposição unida. Afirmou que jamais sentar-se-á à mesma mesa que Fábio Lucena, mas que continuará lutando para formar no Amazonas um partido forte de oposição, em busca da democracia.

Disse, Arthur Virgílio Filho, que participou de uma reunião em Brasília, com Arthur Virgílio Neto, Evandro Carreira, Fábio Lucena e Mário Frota, visando a organização do PMDB no Amazonas. Para aquela reunião “fora convocado, não só por Evandro e Arthur Neto, como pelos destacados líderes nacionais do partido em formação”.

Naquela reunião, segundo ele, por algumas vezes, embora registrando debates veementes, defesas veementes de posições e pontos de vista, decorreu em clima de respeito entre os participantes. Sem agressões, por menor que elas fossem, sem a utilização de palavras ásperas. Apenas discordâncias leais, “por ter manifestado que não tinha ido a Brasília para aceitar vetos, notadamente a um homem honrado, brilhante, culto, com um passado de lutas que merece o respeito do povo amazonense, que é o deputado Francisco Queiroz”.

“Disse, também, que não aceitava receber listas já elaboradas e que embora tenha defendido ser de um ponto de vista, segundo o qual deveria permanecer unida, não via porque continuar o debate naqueles termos. Estaria assim criado o impasse”.

Depois desta reunião, disse o ex-senador não ter participado de outro qualquer encontro, porque viu que não levaria nada, nos termos em que o primeiro fora colocado, notadamente, pelo senhor Fábio Lucena.

RELATO VERDADEIRO

O relato feito em Manaus por Arthur Virgílio Neto, sobre aquela reunião, segundo o ex-senador, é absolutamente verdadeiro, frio, objetivo. Disse apenas o que houve sem insultos, sem ferir a dignidade de Fábio Lucena, sem procurar suscitar intrigas. Enfim, um relato responsável, “feito por um moço responsável. Lamentavelmente a resposta a essa manifestação foi o terror do impropério, de injúria, da mentira, da infâmia, manejado pelo Sr. Fábio Lucena”.

O vereador, segundo Arthur Virgílio Filho, “chegou a baixeza de considerar que um moço que passou em um dos mais difíceis concursos deste país, aquele que se realiza para o ingresso no Itamarati, era um estipendiado do governo, para servi-lo. A este moço que tem tido um dos comportamentos mais corajosos, mais positivos, na política amazonense”.

“Chegou a chama-lo de patife e frascário. Ou o senhor Fábio Lucena não sabe o que significa “patife”, como demonstrou não saber o que significa a palavra “frascário”, ou então o seu estado cerebral já não permite que ele controle aquilo que diz. Repugna-me a luta de retaliações pessoais, sobretudo numa hora grave, como esta em que a Nação atravessa, a exigir de todos os homens públicos responsáveis, que suas atenções estejam voltadas para a solução dos grandes e magnos problemas que afetam o povo brasileiro”, que colocam diante desse povo brasileiro uma grande interrogação quanto ao seu futuro. Que fazem desse povo quase um mendicante. De medidas que o tirem desse estado de carência e de miséria em que vive”.

Continuando, disse entender que esta é a hora da luta pela Amazônia, em cujas costas, segundo ele, pretendem que desabem a solução do problema econômico financeiro do País.

Enfim, “é uma hora em que a luta brasileira deveria estar direcionada para estes problemas gritantes, que tocam de perto o povo. Mas chego aqui e encontro, em resposta a uma entrevista elevada, verdadeira, sincera, Fábio Lucena insulta e calunia. Acho que ela tomou uma posição errada. Esse seu vezo agora terá um paradeiro”.

“Eu não preciso defender meu filho, que tem condições intelectuais e tem coragem para defender-se sozinho. Mas ninguém, ninguém mesmo, chamará um filho meu, que eu bem conheço, portador de quatro diplomas universitários, que domina vários idiomas, que dedicou grande parte de sua mocidade ao estudo, na mais admirável disciplina social, preparando-se para servir ao seu estado e o Brasil, de patife”.

PATIFE, POLTRÃO E COVARDE

“Não estou, repito, defendendo um moço que saberá se defender e que vai se defender. Estou apenas como um pai que conhece seu filho, dizendo, de início, que patife é o Sr. Fábio Lucena. Patife, porque é mentiroso, patife, porque é caluniador, patife, porque não respeita a dignidade alheia. Patife, porque esconde a sua covardia de combater um governo, combatendo aqueles que são seus correligionários, a fim de conquistar votos. Patife, enfim, porque é poltrão, porque é covarde”.

Disse, ainda o ex-líder do governo João Goulart no Senado, que em sua réplica a Arthur Virgílio Neto, Fábio Lucena ainda ameaça, falando em pistolas. “Eu acredito em arma, pistola, ou qualquer outro tipo de arma, quando empunhada por um homem. E não vejo atrás de uma arma, seja ela qual for, empunhada por Fábio Lucena, um homem. Este é apenas o começo”, acrescentou, dizendo que a resposta de Arthur Virgílio Neto virá.

Disse ainda que a resposta do senador Evandro Carreira, também virá. “E quanto a Arthur Virgílio Neto e a mim, adianto a esse indivíduo apenas o seguinte: ele não falará por último. Nós vamos ter a última palavra”.

“Enquanto tivermos uma coluna de jornal, uma gráfica para imprimir um folheto, de um outro meio qualquer de comunicação, ele nos terá pela frente. E a nossa linguagem irá num crescendo, desmascarando-o perante o povo que ele vem ludibriando há muito tempo, que ele vem enganando há muito tempo, nestas lutas inglórias de retaliação em que transformou o alimento de sua política”.

“Eu recebi, com um sorriso de desdém, a ameaça que ele fez”, disse Arthur Virgílio Filho, “recebi, porque tenho conhecimento de uma carta que ele enviou ao senhor Flávio Brito, pedindo clemência contra um cidadão que o havia surrado na via pública. E um homem que faz isso não é homem para usar revólver”. 

UM DESEQUILIBRADO

“Apressei meu retorno a Manaus e aqui estou para enfrentar essa luta que não era o que eu desejava, para enfrentar essa campanha que não era a que eu queria. O que eu desejava, o que eu queria era unir um partido de oposição forte, que concorresse modestamente, que fosse, para colocar um, dois, dez tijolos no edifício que se procura armar da verdadeira democracia brasileira.

Mas já que ele não quer assim, não pensa que intimida. Não pense que fará recuar a homens como eu e meu filho Arthur Virgílio Neto. Patife é ele. Patife e covarde. E que continue não ameaçando, mas que procure, pelo menos uma vez, transformar as ameaças em parte concreta”.

Sobre que posição será tomada por Arthur Virgílio Filho e Arthur Virgílio Neto, o ex-senador disse que “no contato em Brasília e ao ler essa agressão imotivada, sem razão se ser, ilógica, irracional, à Arthur Virgílio Neto, eu não posso conviver com um desequilibrado na mesma sigla. Não estarei sob qualquer legenda que abrigue Fábio Lucena. Lutarei para permanecer no PMDB como reunião das oposições na luta pela democracia. Irei continuar lutando e a direção nacional vai decidir.

Dentro de dois dias chegará à Manaus o deputado Francisco Coelho, que vem para manter contato com quantos queiram participar da oposição sob a sigla do PMDB.

À ele, Arthur Virgílio Filho vai dizer que “não estou impondo nada, não estou vetando nada, nem reivindicando nada, posição nenhuma, mas que não me sentarei a uma mesa como um desequilibrado, um homem que não sabe o que diz. Por que não vejo, nessa convivência, nenhum lucro para o Amazonas, para o Brasil e para a democracia”, concluiu.

Transcrição do Jornal A Notícia de 25 de janeiro de 1980, p. 07.

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