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7 de fevereiro de 2015 às 13:00.

Série Histórica das Eleições de 1976

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PRAXITELES QUER MATAR O PRESIDENTE DA COSAMA

O presidente da COSAMA, engenheiro Waldir Brito, confirmou ao deputado do MDB, José Costa de Aquino, que na semana passada seu assessor Fernando Castro, impediu que o candidato a Vereador pela ARENA, Praxiteles Antony, lhe desse um ou vários tiros de revolver, dentro daquela autarquia do Estado. Waldir Brito não quis entrar em detalhes, mas confirmou que houve a ameaça, acrescentando, todavia, que ocorrera quando ele, Waldir Brito, se encontrava em seu gabinete, reunido com várias pessoas.

Outras fontes disseram que Praxiteles Antony surgiu inesperadamente na COSAMA e se dirigiu ao gabinete de Waldir Brito. Como falasse alto, o assessor Fernando Castro foi ao seu encontro, quando ouviu de Praxiteles a revelação de que estava ali para dar um tiro “nesse cara”. Mas Fernando Castro com muita habilidade conseguiu convencê-lo de que sua atitude seria um ato perigoso para si e para Waldir Brito. Praxiteles retirou-se, mas deixou prometido de que ainda poderá fazer o que o levou àquela repartição.

 – “Quando Fernando Castro voltou ao meu gabinete, pálido, perguntei o que tinha havido lá fora – disse Waldir Brito – e ele me contou que eu havia sido ameaçado de morte. O assunto, porém, já é do conhecimento das autoridades”, disse Waldir Brito ao deputado José Costa de Aquino.

INQUÉRITO

O assunto será levado à tribuna da Assembleia Legislativa na sessão de amanhã, pelos deputados Damião Ribeiro e José Costa de Aquino. Outras fontes informaram a esses dois parlamentares que a ameaça de morte ocorrida na COSAMA prende-se ao fato de estar havendo sério desentendimento entre o presidente da COSAMA, Waldir Brito e a Diretora Administrativa Léa Antony, esposa do candidato Praxiteles Antony, por causa de instalação de água em bairros da cidade. Damião Ribeiro já exibiu documentos na Assembleia, salientando que a senhora Léa Antony tem percorrido diversos bairros da cidade, em campanha eleitoral de seu marido, Praxiteles, dizendo que “se o Praxiteles não for eleito, eu mandarei cortar a água que eu mesma instalei para vocês aqui no bairro”. Damião já tem em seu poder declaração assinada, reconhecida e autenticada de eleitores que confirmam essas declarações da senhora Léa Antony. Possui ele, ainda, outro documento: o carnê  de um eleitor declaradamente arenista, na Lagoa Verde, pagando taxa d’água em bases muitos inferiores a um eleitor declaradamente do MDB. Esse assunto já foi largamente discutido na Assembleia, mas não se sabe se o Governador do Estado, tenha tomado alguma providência à respeito.

Falaram também dentro da COSAMA que “esse desentendimento entre Léa Antony e Waldir Brito tinha que dar nisso a qualquer momento”. E justificam  que Waldir Brito não aceita esse trabalho da senhora Léa. Ele mesmo já teria recebido diversas queixas de usuários da Cosama, narrando a diferença de tratamento. Outro fator que o aborrece: a instalação de água nos bairros, faz parte da COSAMA e não pode ser confundida como uma iniciativa pessoal e isolada da senhora Léa Antony. Ambos acabaram fazendo queixa um do outro ao Governador Henoch Reis. O Chefe do Estado chamou os dois a seu gabinete, onde amos, segundo fontes sérias, tiveram “bate-boca” violento e ofensivo. Por fim, quando os dois voltaram à Cosama, e de lá ligaram o telefone para o governador, este disse à dona Léa que “a partir do dia 16 eu tirarei o Waldir da Cosama”, e quando falou com Waldir Brito, disse a mesma coisa: “A partir do dia 16 eu vou tirar a dona Léa de sua repartição para acabar com essa briga”. Por causa dessa desavença, portanto o esposo de dona Léa, o candidato Praxiteles Antony, teria tomado a frente do problema e chegado ao gesto extremo da ameaça de morte.

Os deputados José Costa de Aquino e Damião Ribeiro falarão sobre a ameaça de morte e a desavença, respectivamente. Damião vai requerer ao governador que ele mande publicar ou envie à Assembleia cópia de um inquérito aberto na Cosama para apurar as informações de que dona Léa anda dizendo que ela que está colocando água nos bairros e que, se seu marido, Praxiteles, não for eleito pela Arena, ela mesma mandará retirar os canos, o que tem gerado apreensões e reclamações das pessoas que acreditam que isso possa acontecer, Waldir Brito não confirmou, mas presume-se que ele, por garantia, teria comunicado a ameaça de morte ao Secretário de Segurança, através de expediente reservado. Novos detalhes serão enfocados no Legislativo.

Transcrição do Jornal A Notícia de 02 de novembro de 1976.

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