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14 de fevereiro de 2015 às 13:00.

Série Histórica das Eleições de 1976

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MDB ARRASA COM GOVERNO E ARENA NO LEGISLATIVO

Afirmando que a “camarilha arenista voltou a agredir, em desavergonhada nota pública, o Movimento Democrático Brasileiro, mais uma vez insuflada pelo hábito da mentira, já que essa cambulhada se notabilizou por mentir prazerosamente e pelo prazer mentiroso”, o deputado Paulo Sampaio, do MDB, leu na tribuna da Assembleia Legislativa, ontem, outra nota da Oposição, de autoria do diretório regional, com novas e mais sérias acusações contra o partido do Governo.

“A moral arenista, que só ainda não foi levada a público pregão de venda porque o povo amazonense jamais arremataria sucatas morais – diz a nota – consistem em desviar a atenção do público para o fato de que, estando no poder há mais de 10 anos, a Arena afundou gradualmente o Estado na miséria e no descrédito, e, através de agressões ao MDB, tenta instilar sobre os homens da Oposição os conhecidos chavões que nem mesmo o famoso Almirante Pena Boto levaria a sério. Encontra-se assim, o MDB em situação de legítima defesa, que constitui excludente de criminalidade, conforme o Código Penal em vigor no país”.

TUDO VISTO, PESADO E MEDIDO, O MDB PROCLAMA O POVO

1 – Fica desafiada a camarilha arenista a apresentar qualquer documento que comprove as ligações do deputado Paulo Sampaio com Cuba ou Fidel Castro, como alegou levianamente com o intuito de jogar aquele companheiro contra as teias dos órgãos de segurança do regime, exercendo mais uma vez, o poder de delação e deduragem em que se doutorou;

2 – É mentira da camarilha arenista que o deputado José Costa de Aquino haja tentado agredir a deputada Socorro Dutra. O deputado Aquino reagiu a uma provocação do deputado Cleuter Mendonça e partiu na direção deste para tomar-lhe satisfações. Mas o valente deputado arenista, supondo que ia ser agredido fisicamente, tentou esconder-se debaixo da saia da deputada Socorro, o que não aconteceu por ser esta uma senhora digna e honrada.

3 – A corrupção denunciada na Câmara Municipal, por um vereador do MDB, nos idos de março, foi preparada pelo ex-Procurador Geral da Justiça João dos Santos Pereira Braga, e pela advogada Gladys Terezinha Nery Santana, ambos procuradores jurídicos da Câmara, nomeados no tempo em que a Arena dominava aquele poder, que lesaram a boa fé do presidente do Legislativo municipal. Os aumentos ilegais, então concedidos na absoluta surdina e durante o recesso do início do ano, beneficiaram, além dos já mencionados procuradores, a mulher do vice-governador João Bosco Ramos de Lima, que está, como os demais beneficiados, devolvendo mensalmente o dinheiro indevidamente recebido; convém, ainda, salientar que Gladys Terezinha é cunhada do vice-governador, isto é, tudo da Arena.

4 – Quando o MDB, em 1972, ganhou as eleições e, no ano seguinte, conquistou a presidência da Câmara, o mesmo vereador solicitou as folhas de pagamento referentes ao mês de março de 1964. Depois de vasculhado o setor competente, para atender ao requerimento do vereador, que visava apurar denúncias de irregularidades havidas na Câmara durante aquele mês e ano, constatou que todas as folhas haviam desaparecido. Convém salientar que o presidente da Câmara, em março de 64, às vésperas da Revolução, era o sr. João Bosco Ramos de Lima.

5 – É público e notório que o deputado Domingos Sávio Ramos de Lima, na época em que o sr. Cabral Marques era secretário da Educação, recebia dinheiro em vários setores daquela Secretaria. Demitido de todas as sinecuras pela substituta de Cabral, professora Inez de Vasconcelos Dias, o deputado então, vereador, iniciou contra a mesma uma veemente campanha de difamação.

6 – Na Câmara Municipal, o vereador  Vinícius Conrado denunciou que o vice-governador João Bosco mandou derramar dinheiro em Eirunepé, durante a campanha eleitoral de 1974. Em consequência, o vice-governador está processando criminalmente o vereador junto a Justiça Comum à qual caberá apurar a responsabilidade do denunciante ou transformar em réu o denunciado, perante a Justiça Eleitoral.

7 – Em julho de 1975 o senador José Lindoso só não chamou de santo o prefeito Jorge Teixeira, mas colocou em dúvidas, através da imprensa, a honorabilidade pessoal do prefeito. Nenhum membro da camarilha arenista teve a coragem de defender o prefeito, que hoje por ela é exaltado, mas que ontem recebia sobre o seu próprio rosto.

8 – Fica o governador do Estado desafiado a dar nome ou nomes de deputados do MDB que lhe foram vender votos no Palácio Rio Negro, como alegou levianamente a camarilha arenista;

9 – Mente a camarilha arenista quando afirmou que não urde inelegibilidade. Foi a cambulhada arenista quem urdiu os processos-crime, com base na delação, contra um deputado estadual e um vereador do MDB, na antevéspera das eleições de 1974, com o fim, como é público e notório de afastá-los daquelas eleições. E se hoje o Supremo Tribunal Eleitoral declarou inconstitucional a letra “n”, Art. 1º da Lei Complementar nº 5, em que se viram incursos, os dois citados companheiros, foi por haver atendido a uma das mais nobres exigências da consciência jurídica da nacionalidade, com o que debelou de modo inexorável, novos e idênticos e rasteiros planos para o futuro, já arquitetados pela consciência enferma da camarilha arenista, agora fatalmente frustrada em sua intenção sórdida, abjeta e negregada;

10 – A camarilha arenista desserve à Nação, ao Governo e à Revolução. Não fosse esse partido desmoralizado, que só sabe pedir favores ao Governo, atrapalhando-lhe todas as ações, pois fica imóvel e sob o cerco da corte dos bajuladores que vivem a lamber os sapatos dos governantes, e este País, provavelmente, estaria de fato indo para frente, e não com padrões salariais para a classe de trabalhadores que estão abaixo do poder aquisitivo real de antes de 1964, conforme o disse não faz muito o próprio Ministro Reis Veloso, do Planejamento.

11 – esta comunicado do MDB ao povo amazonense é apenas o gesto inicial de legitima defesa, bastante moderado, em que se encontra o Partido da Oposição. Mas se a camarilha arenista o quiser, poderemos voltar com termos tão contundentes que ela, a cambulhada arenista, poderá, inclusive, contratar carpideiras para o velório eleitoral que se aproxima, que a asfixia e a leva ao desespero, reação bastante natural de todo áulico e eunuco moral.

12 – Dito isto (e dito só isto por enquanto, se for o caso), o MDB conclama o povo amazonense a consagrar, pela terceira vez consecutiva, a vitória da Oposição nas eleições de 15 de novembro.

Transcrição do Jornal A Notícia de 05 de novembro de 1976.

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