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4 de fevereiro de 2015 às 13:00.

Série Histórica das Eleições de 1976

ARRANCADA PARA O FUTURO

O espectro das favelas, do inframundo que abraça Manaus com tentáculos de miséria, fome e doença, transforma-se em dolorosa chicotada na sensibilidade e na consciência de quantos analisam o povo, vivem o povo e são povo. Este trágico fenômeno social não é só amazonense. É mundial. Mas, por ser generalizado não justifica o adormecimento cúmplice de responsáveis e governantes. É uma chaga viva no cerne do nosso Estado, da nossa Pátria.

A grande Manaus – assim bairristicamente adjetivada – ri, trabalha, produz e chora tantas vezes. Mas esse choro torna-se mais cruel longe dos centros. Em colmeias humanas esfarrapadas, na periferia, favelados, autênticos párias da sociedade tradicional, olham um futuro sem futuro e um presente quase sem estímulo nem esperança.

Era assim – em Manaus como em imensas cidades do mundo – e ainda é. Foi sentindo estas lágrimas silenciosas do povo, o conformismo heroico do caboclo fugitivo e desenraizado, do emigrante tímido na pobreza, que o Governo do Estado do Amazonas resolveu tentar um milagre: construir a CIDADE NOVA, abrir horizontes de luz e esperança entre trevas sociais que pareciam eternas. E surge, já num futuro imediato, uma das mais belas e espetaculares concretizações humanas impulsionadas pela governação de Henoch Reis. Vai erguer-se uma nova Manaus, uma cidade de casas populares acessíveis a quantos vivem do salário mínimo.

Não é uma obra política ou demagógica – porque se o fosse o seu reflexo não teria guarida em nosso editorial. É uma obra sentida e vivida por todos nós. É autêntica intervenção cirúrgica para salvar um corpo docente, estripando um cancro que ameaçava de morte a comunidade que amamos e onde vivemos.

A CIDADE NOVA, com o plano já aprovado pelo Governo e examinado pelo BNH vai erguer-se com 14.897 casas populares, no quilômetro 5 da estrada Manaus – Itacoatiara, na Oliveira Machado. É trabalho da SHAM (Sociedade Habitacional do Estado do Amazonas) e a sua superintendência não se negou a esforços na planificação de uma iniciativa ímpar cujo arrojo paradoxalmente ponderado chega a surpreender os mais dinâmicos. Não se trata de mais um “cartaz eleitoral”. O plano vem de longe, foi amadurecido por homens lúcidos e de boa vontade, talvez à beira de igarapés poluídos e de favelas apodrecidas a minares em Manaus.

Nesta coluna não fazemos reportagem, mas sim comentário. No entanto será bom frisar alguns dados mais expressivos: Serão construídos quatro tipos de residências. Profilurb Embrião, no valor de Cr$ 23.926,05 com prestações mensais de 130,00; casas com 1 quarto, por Cr$ 30.047,25 com prestações de 150,00; com dois quartos nos valores respectivos de 64.039,55 – 510,00 e, por último, com três quartos, correspondendo a 83.086,65 e a prestação de 790,00.

A CIDADE NOVA, no âmbito da educação, será equipada com 14 escolas do ciclo básico, duas do ciclo médio, uma polivalente e 19 escolas para atender à faixa de jardim de infância e pré-primárias.

No campo da saúde, serão criados 19 postos com atendimento de vacinação e serviço odontológico, 4 postos de saúde com serviços de urgência, um hospital público com 50 leitos e quatro farmácias.

Na área comercial vão ser instalados quatro blocos comerciais e de prestação de serviços, um mercado público, quatro minimercados e quatro padarias.

A segurança é garantida por dois postos policiais e uma delegacia distrital.

Não foi esquecido o importante setor de recreação e esportes. Haverá praças, playground, centros sociais urbanos e outros pólos de atração.

Quanto às infraestruturas, a CIDADE NOVA terá obras de terraplanagem, drenagem e pavimentação. A energia elétrica será implantada pela CEM com recursos próprios e todo o esquema de fornecimento de água e da construção de esgotos obedecerá à planificação mais moderna.

Saliente-se que não serão cobrados os custos de execução destas obras dos mutuários, mas sim custeadas pelo Governo do Estado e pela CEM.

Em traços muito gerais é esta a envergadura da grande obra social em marcha que importará em cerca de um bilhão de cruzeiros proporcionando, no período de execução de 1976 à 1979, trinta mil empregos diretos e aproximadamente 100 mil indiretos.

Ao sublinharmos estes aspectos que envolvem a criação da CIDADE NOVA, moveu-nos uma intenção fundamental: demonstrar que a cidade satélite é realista, bem longe de utopias infelizmente já tão propaladas. É uma obra do povo e para o povo. E unicamente por essa razão básica e fundamental, os seus autores e concretizadores merecem o respeito e a confiança de todos nós e a palavra de estímulo que aqui deixamos.

O governo do Estado, com notável tranquilidade, não tem aceitado o jogo dos provocadores, reduzindo sua importância, impedindo que se crie clima psicossocial pré-insurrecional.

Mas por ser problema de segurança, não se pode desprezar o potencial solerte da insídia organizada. Não basta esvaziar as provocações. Elas têm tido seguimento e, pela continuidade, podem alcançar seu objetivo perturbador.

Frente aos fatos indesmentíveis, a Aliança Renovadora Nacional pede ao povo amazonense que não se deixe levar pelos apelos ao saque e ao roubo, pois esta iniciativa do Movimento Democrático Brasileiro, que tem como principal veículo propagador o próprio jornal da Oposição, conflita com nossas tradições de ordem e respeito.

A ALIANÇA RENOVADORA NACIONAL conclama o povo amazonense a enfrentar e vencer, como tantas vezes antes, com coragem e amor cívico, as dificuldades passageiras e normais à toda a sociedade em desenvolvimento, ordeiramente trabalhando, juntamente com seus governantes, pela construção de um Amazonas e um Brasil cada vez maiores e dignos de nossos filhos que usufruirão no futuro, o trabalho desta geração.

A Aliança Renovadora Nacional encarece ao povo amazonense para que compareça ordeiramente às urnas, sufragando os candidatos que julgar mais aptos, a fim de que a ordem democrática garantida pela Revolução de 31 de março de 1964 seja respeitada.

Manaus, 24 de outubro de 1976

ALIANÇA RENOVADORA NACIONAL

Diretório Regional

Transcrição do Jornal A Crítica de 24 de outubro de 1976, capa.

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