9 de janeiro de 2017 às 08:00.

Amazonino impõe tarifa dos ônibus

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Ao encerrar a reunião, Amazonino anunciou que, a partir do dia 16 de setembro, a tarifa dos ônibus seria majorada em 37,5%, passando de Cr$ 80,00 para Cr$ 110,00. No texto em que reportou o aumento, A Crítica pretendeu lustrar o verniz de ato democrático da “iniciativa pioneira” do prefeito, por ter convocado “todas as classes representativas para se discutir um aumento de tarifas dos coletivos“.

No final da reportagem, porém, encontra-se a explicação para o que realmente teria ocorrido: sob a oposição dos representantes da UESA e do Diretório Universitário, que se manifestaram contra qualquer tipo de aumento, alegando que o trabalhador não deveria pagar pelo descalabro da situação econômica do País, Amazonino simplesmente impôs a tarifa de Cr$ 110,00 que havia sido calculada pela EMTU. E aproveitou para fazer demagogia: “Agradeço a presença de todos a esta nossa reunião democrática, e externo a minha profunda satisfação por este dia que eu reputo histórico, em relação à política de transporte de Manaus. Parabenizo todos pela participação num ato de solidariedade no sentido de dividir com o povo a administração“, afirmou o prefeito (A Crítica, pág. 2, 15 de setembro de 1983).

Ao tentar justificar sua posição contra os Cr$ 110,00, Francisco Sávio argumentou que de 1960 até então o preço das passagens havia subido 1.283% para uma inflação de aproximadamente 700%. O presidente da UESA foi interpelado pelo prefeito, que disse não aceitar críticas ao sistema. Amazonino afirmou ainda que se o representante dos estudantes tivesse uma sugestão que justificasse a redução na tarifa, que a apresentasse, pois aceitaria. Os estudantes, no entanto, ficaram calados. Em entrevista, após a reunião, disseram que não podiam apresentar sugestões porque não eram administradores. Mas informaram que iriam se reunir na terça-feira à noite para discutir o assunto (Jornal do Commercio de 15 de setembro de 1983, p.04).

Tratava-se do quarto aumento tarifário apenas naquele ano. A passagem de ônibus havia iniciado o ano em Cr$ 70,00, sendo posteriormente majorada para Cr$ 75,00 e depois para Cr$ 80,00, antes de chegar aos Cr$ 110,00.

Ao diário A Notícia, a representante do Diretório Universitário, Gina Gama, afirmou que: “não é o povo, o estudante, que deve arcar com o salário de um milhão e duzentos mil cruzeiros dos diretores das empresas de ônibus“, ao que o empresário Aarão Ohana retrucou dizendo que o salário de diretor seria “razoavelmente parco para quem trabalha 18 horas por dia.” (A Notícia, de 15 de setembro de 1983).

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