4 de janeiro de 2017 às 08:00.

“Irrisório não dará para cobrir as despesas e nem para pagar os empregados”

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Em junho, a EMTU aceita antigo pleito da Uesa e libera a venda do passe-único aos estudantes de cursinhos pré-vestibulares, a partir de julho. No mês seguinte, um novo reajuste que elevaria a tarifa dos ônibus a Cr$ 35,00 é estudado pela Associação Profissional das Empresas de Transportes de Passageiros do Amazonas (Apetram) e é anunciado nos jornais da cidade. Em entrevista ao A Crítica, o presidente da associação, Viagulo de Paiva, lista os aumentos dos custos operacionais das empresas para justificar a necessidade de um aumento maior da tarifa, para cinquenta cruzeiros (A Crítica de 28 de julho de 1982, p.05).

Enquanto a UESA envia nota à imprensa protestando contra as pretensões dos empresários de elevar a tarifa para Cr$ 50,00, os donos das empresas se manifestam contra o valor de Cr$ 35,00 anteriormente anunciado, afirmando que esse aumento “irrisório não dará para cobrir as despesas e nem para pagar os empregados” (A Notícia, 30 de julho de 1982).

Desta vez, os empresários saem vitoriosos em parte. “Ônibus subiram para 45 cruzeiros” é a manchete de A Crítica no domingo, 1º de agosto. Esse acréscimo de 50% foi determinado por decreto do prefeito João Furtado (que havia sucedido José Fernandes). “No decreto, o prefeito considera os aumentos de preços das peças de reposição, a elevação do preço dos derivados de petróleo, as alterações salariais do pessoal de operações e outros fatores“, afirma a reportagem.

Em 10 de agosto, os jornais informaram que a UESA realizaria um ato público naquele dia na Praça da Matriz, em repúdio a atitude arbitrária do aumento para Cr$ 45,00. Um público de aproximadamente 500 pessoas compareceu ao protesto, entre estudantes, políticos e representantes de associações de bairros. Em sua primeira página, A Notícia ressalta que a adesão ao ato foi pequena e que se tratou de um movimento pacífico, sem a menor repressão policial (A Notícia de 11 de agosto de 1982, p.01).

Em outubro, nova frustração. A UESA realiza um ato público para protestar contra a mudança do posto de venda do passe-único do Centro para a Avenida Comendador Clementino, obtendo adesão mínima. “Contavam-se nos dedos o número de estudantes que participaram do ato público convocado pela UESA na Praça do Congresso…” inicia a reportagem. “Apesar da manifestação ser realizada em frente a dois tradicionais colégios, Instituto de Educação e Benjamin Constant, a UESA não conseguiu atrair 70 pessoas para a praça“, prossegue o jornal, que especula sobre a situação da UESA: “talvez a própria divisão da liderança estudantil, ocorrida no último encontro estadual, seja a causa do descrédito da entidade” (A Crítica de 9 de outubro de 1982, p.03)

Esta história de luta pela garantia do direito à meia-passagem moldou a forma com que os estudantes viriam a se mobilizar – e as forças do Estado a reprimir – nos eventos que culminaram nas manifestações de setembro de 1983 contra o reajuste exagerado das passagens de ônibus.

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