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7 de fevereiro de 2015 às 09:30.

Série Especial – Movimento da Discórdia Baré (MDB)

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FÁBIO LUCENA RESPONDE AO “PELEGO DEGENERADO”

O vereador Fábio Lucena prestou ontem a “A CRÍTICA” as seguintes declarações:

“Abriu-se mais um sarcófago e dele saiu uma figura da antiga república, partidário de Washington Luís e a seguir de Getúlio Vargas, constituinte em 1946 e cujo mandato de senador foi cassado arbitrariamente em 7 de fevereiro de 1969: Arthur Virgílio Filho, pai do funcionário do Ministério de Relações Exteriores (Itamarati), onde só se ingressa com autorização do SNI, que se chama Arthur Virgílio Neto.

Vou responder às agressões do moribundo ex-udenista, ex-pessedista, ex-trabalhista, etc. Esclareço, todavia, inicialmente, que eu me envergonharia de ter de usar o nome de meu pai para defender-me.

DEVOLUÇÃO

“Devolvo todos os adjetivos que o múmia degenerado ontem expeliu sobre mim, salientando que, em termos de comborça da indecência e concubino da impudicícia, o Sr. Arthur Virgílio Filho é um espécime acabado e apurado.

Somente às 20 horas e 30 minutos do ultimo dia 14, fiquei sabendo que esse pelego acafajestado pretendia formar no Amazonas, “um partido de oposição forte”. Até então eu o sabia fazendo o jogo do PTB de Ivete Vargas, isto é, o PBT que está sendo organizado (não é o do Brizola), sob inspiração do General Golbery do Couto e Silva, Ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República. Foi quando ele ingressou, juntamente com o filho e o Sr. Evandro Carreira, no gabinete do senador Paulo Brossard, onde Mário Frota e eu esperávamos apenas por Evandro e Arthur Neto, e não pelo pai deste. Com os cabelos pintados de preto e as rugas do rosto aparadas pelas numerosas cirurgias plásticas que á fez, começou a dizer que “já havia completado cinquenta anos”, esquecendo-se de explicar de que lado. Fazia algum tempo, ouvira de um amigo a pretensão, legítima sob todos os títulos, de ex-senador de retornar às atividades político-partidárias, como candidato ao Senado, em 1982, mas supunha que o pretendesse pelo PBT. Em nenhuma oportunidade o procurei para qualquer tipo de composição política, porque meu compromisso é com o futuro, e não com homens que fizeram parte, como o Sr. Arthur Virgílio, de governos que detonaram bombas em jornais, que prenderam indiscriminadamente, que criaram campos de concentração e celas de tortura e que, numa fase posterior, formaram na linha de frente de um dos Governos mais irresponsáveis da História deste país, que levou a Nação à situação caótica que culminou o ato de força de 1964, com a deposição do regime constitucional e a implantação, em seu lugar, de um regime de arbítrio que se prolongou por 15 anos e cujas cinzas até hoje ainda perturbam a constituição da nacionalidade; não iria compor com indivíduos corporificados no Sr. Arthur Virgílio, que se compromissaram com o regime que os cassou a fim de não serem molestados, enquanto outros, como Almino Afonso, Miguel Arraes, e tantos e tantos, tiveram de enfrentar o exílio longo e amargo na sustentação da luta de defesa da pátria, incluindo-se, ainda, aqueles que, com dignidade, permaneceram no Brasil.

HIPOCRISIA

A hipocrisia deste escaravelho é palmar. No dia 7 de fevereiro de 1979, há um ano, ele recuperou os direitos políticos. Com a revogação do Art. 185 da Constituição, que vedava a inscrição nos partidos políticos de cidadãos que tivessem sido punidos pelos Atos Institucionais, liberou-se o acesso aos partidos. O sr. Arthur Virgílio jamais se inscreveu no MDB, ao contrário de Almino Afonso, Mário Covas, Arraes, etc. Agora, ele aparece em Brasília reivindicando o comando da oposição no Amazonas, para a qual não deu até hoje nenhuma contribuição, ao contrário de outros que, igualmente cassados, tiveram a necessária coragem de ajudar os oposicionistas. E se ele participou da campanha de 1978, correndo risco de ser punido em consequência daquela participação, foi por um motivo muito simples: o filho, que entrou no Itamarati com o consentimento do SNI, o que lhe revela o grau de intimidade com o regime a que ele chama de “ditadura”, mas ao qual serve com zelo, o filho era candidato a deputado federal e interessava, é evidente, ao pai elegê-lo.

Ora, se ele queria fazer oposição, por que não se filiou ao único partido de oposição então existente no país? Depois de velho, não criou vergonha nem para disfarçar a hipocrisia!

“Jamais pretendi trazer a lume o nome desse cidadão que provém de uma época em que a política era a “arte do tudo possível”, e em que tudo valia, menos perder eleições. Eu não havia ainda nascido quando ele foi alçado à vida pública pelo braço generoso do grande e saudoso Álvaro Maia, a quem depois trairia sordidamente. De espúrio e famoso casamento da UDN com o PSD foi ele partícipe ardoroso. Escrivão dos Feitos da Fazenda, até hoje se comenta o desaparecimento de dinheiro depositado pelos pacientes de ações executivas, método por ele aplicado para começar a construir a enorme fortuna que hoje possui.

Quando o conheci, estava preso no Exército, em Manaus. Ele foi “visitar-nos”. Em verdade, foi humilhar seu velho inimigo Aldo Moraes, que também estava preso. Observei então, um fato curioso: o Sr. Arthur Virgílio era o líder do Governo de João Goulart no Senado quando este foi deposto. Fugia Jango do Brasil enquanto o seu líder era recebido com honrarias, dentro de uma unidade militar que havia participado da deposição do Presidente da República. Já tinha feito as pazes com os algozes do regime do qual era líder do Senado. E com uma pressa que causaria inveja ao próprio Joseph Fouchê. Foi assim que ele negociou a conservação do seu mandato pelo Presidente Castelo Branco, o que de fato obteve, chorando aos pés dos condestáveis do novo reino, como o senador Daniel Kriegger e o deputado Bilac Pinto, aquele do PSD, este da UDN – ele, Arthur Virgílio, do PTB.

Jamais pretendi trazer-lhe o nome a lume. Foi ao filho dele que reptei, não a ele, em quem nem sequer toquei. E a posição que assumi foi motivada pela ladainha de futricas, mentiras e intrigas que o Sr. Arthur Neto publicou em Manaus, lançando-me contra amigos de mais profunda estima, alguns de mais de duas décadas, como Félix Valois e José Dutra, tendo este, até entendimento posterior, ficado profundamente magoado comigo, em face das intrigas mesquinhas do peralvilho do Itamarati (onde só se ingressa com o consentimento do SNI).

Trata-se, por conseguinte, do inevitável choque de gerações, pois essas múmias não se conformam com o fato de que depois deles, outros líderes surgiram. Matusaléns inconformados, e apenas porque alcançaram certo brilho no passado, ainda que cintilações de ouro obtido por métodos sujos, são capazes de tudo para reacender o brilho. Mas só se for para lembrar Agripino Grieco, o da faísca das ferraduras.

O Catãozinho se diz intocável. Esqueceu-se, todavia, de informar ao público que, não faz muito, e já depois de cassado, foi designado advogado da AMAZONLAR, uma associação de poupança e empréstimo, que tinha como presidente nada mais, nada menos que o presidente da ARENA, Sr. Raimundo Parente, e numa época em que se diziam misérias a respeito da mencionada associação, no que pertine a fatos escabrosos de corrupção e de outras improbidades. Mamou, por conseguinte, do dinheiro do regime que o puniu arbitrariamente, do mesmo regime ao qual o filho, há vários anos, vem servindo zelosamente, como funcionário graduado do Itamarati, onde só se entra com a permissão do SNI!

Diz que terá a última palavra. Vamos ver. Arrota bravatas de valentão. Vamos ver. Ofende-me na minha dignidade de homem. Não descerei a tal nível, pois nada tenho que ver com suas misérias morais particulares. Ele que as mastigue, engula-as e rumine-as.

Se ele ainda estivesse no poder, como nos tempos em que seus amigos mandavam no Brasil e no Amazonas, o múmia fescenino, como era de moda na época, já estaria, a esta altura, recorrendo a polícia política para silenciar-me a mim, a este jornal.

Mas os tempos são outros. De tal sorte que esse negócio de número de diplomas jamais melhorou o caráter de quem quer que seja. O homem mais diplomado do Relch era o Dr. Goebles. E tem mais: hoje nem mesmo um cachorro entra num avião sem portar atestado de sanidade física e cerebral. Melhor seria que o Sr. Arthur Virgílio tivesse permanecido em seu sarcófago, pois nunca tive vocação para coveiro. Sou forçado, todavia, a enterrá-lo definitivamente, venha ele como vier e na companhia de quem quer que seja.

PS – O múmia dissoluto, lacaio de todos os poderosos do seu tempo e pelego famoso do início dos anos 60, afirmou que dispõe de uma carta de minha autoria endereçada ao ex-senador Flávio Brito, sobre assunto mentiroso que também especificou. Pois bem: está desafiado a publicar a tal carta, que não existe, salvo na mente deformada do ex-senador degenerado!

Até amanhã!

Transcrição A Crítica de 26 de janeiro de 1980, p. 06.

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