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24 de janeiro de 2015 às 09:17.

Série Especial – Movimento da Discórdia Baré (MDB)

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ARTHUR NETO FALA SOBRE O PMDB

Um depoimento que confirma nosso noticiário, apesar dos desmentidos ensaiados pelos interessados. A contestação de lideranças e o esforço para salvar a legenda. Uma briga que promete “dar samba”. Nomes vetados por serem inimigos de “patrões”. O advogado Félix Valois vetado por seu constituinte.

Há dois dias em Manaus, vindo de Brasília, onde mantinha entendimentos com lideranças do extinto MDB e com o, comando nacional do atual PMDB, Arthur Virgílio Neto foi procurado pela reportagem de A NOTÍCIA para esclarecer o povo amazonense a respeito de inúmeros e controvertidos aspectos da articulação desse partido em nosso Estado

As reuniões em Brasília

Afirmou Arthur que a semana passada foi palco, na capital federal, de intensas démarches visando à formação do PMDB-AM, reunindo políticos como o ex-senador Arthur Virgílio Filho, o atual senador Evandro Carreira, o vereador Fábio Lucena, o deputado Mário Frota e o próprio entrevistado além de inúmeros dirigentes de expressão nacional, como Ulysses Guimarães, Paulo Brossard, Freitas Nobre, Almínio Affonso, Fernando Coelho, etc.

O que foi debatido

Prosseguindo, disse Arthur Virgílio ser delicada a situação do PMDB do Amazonas, em razão de existirem três grupos bem definidos, disputando posições na Executiva Provisória Regional, a saber: Evandro Carreira, Fábio Lucena/Mário Frota e o terceiro que abriga, dentre outros, Arthur Virgílio Filho, Félix Valois e Arthur Virgílio Neto.

Resumo da 1ª reunião

O veto a Queiroz

Ao chegarem a Brasília, o deputado Frota e o vereador Lucena procuraram o Presidente Ulysses Guimarães, dizendo-lhe que tinham a intenção de contatar o senador Carreira e que, para tanto, necessitavam da mediação de Ulysses, posto a ser marcado pela animosidade pessoal o relacionamento Fábio/Mário com Evandro.

Ulysses, então, recomendou-lhes que procurassem o senador Paulo Brossard, líder de Evandro no Senado durante 1979, que, do alto de sua autoridade moral e política, certamente contribuiria para levar a bom termo os entendimentos entre os dois grupos.

Essa reunião, segundo relato do senador Carreira, foi breve e pouco proveitosa, por dois motivos principais:

a) emedebistas teriam escolhido;

b) cessa lista estavam excluídos entre outros nomes respeitáveis, o ex-senador Arthur Virgílio Filho, o ex-deputado Bernardo Cabral, o ex-deputado José Dutra, o deputado estadual Francisco Queiroz, líder do bloco de oposição ao governo Lindoso, etc.; sobre Queiroz, pesava um veto pessoal, partido do vereador Lucena, que o teria considerado “inimigo pessoal e fidagal” do dono da empresa da qual ele. Lucena, dependeria. A esse respeito, conta Carreira que o senador Paulo Brossard teria ponderado ao vereador que o PMDB não poderia ficar a mercê de vetos anti-democráticos nem, tampouco, andar a reboque de empresas privadas.

Encerrou-se o encontro, com a declaração de Carreira de que nada decidiria sem a concordância e a presença dos representantes do 3º grupo. Combinou-se, então, nova reunião para horas depois, com a minha participação e do ex-senador Arthur Virgílio Filho, novamente no gabinete do senador Brossard.

A 2ª reunião: O critério de grupos

Leia mais:

Às 20:00 horas com a presença de Arthur Virgílio Filho, Evandro Carreira, Mário Frota, Fábio Lucena, Arthur Virgílio Neto e durante alguns minutos, Paulo Brossard, tinha início o segundo debate, com vistas a um entendimento entre os homens do PMDB amazonense.

Pediu a palavra o vereador Lucena, para dizer que trazia consigo listas de 11 nomes, que as “bases” partidárias teriam escolhido para compor a direção provisória do PMDB-AM. Falando em seguida, o ex-senador Virgílio Filho colocou para o vereador Lucena que não era homem de meramente homologar decisões das quais não participara; e veemente, protestou contra o veto a Queiroz, que todos sabemos um homem digno e oposicionista ferrenho.

O terceiro a se pronunciar foi o entrevistado, Arthur Virgílio Neto, que declarou aos presentes ser inaceitável o veto a Francisco Queiroz bem como o fato também de o vereador Lucena e o deputado Frota haverem trazido no bolso uma lista que não representava o consenso do pensamento oposicionista no Amazonas. Ponderou, ainda, Virgílio Neto que as lideranças estudantis, intelectuais e sindicais não pelegas teriam de ser consultadas sob pena de se formar um partido vazio ideologicamente, um partido forjado apenas de políticos, muitos deles desgastados e superados pelo próprio dinamismo atual do processo político brasileiro. E findou sugerindo que se estabelecesse o seguinte critério para a escolha dos 11 nomes da Executiva Provisória Nacional: 4 indicações para o grupo Frota/Lucena; 4 indicações para o grupo o senador Carreira e as 3 restantes para os oposicionistas alinhados ao lado dele, Arthur Virgílio Filho, de Félix Valois, de José Dutra, de Márcio Souza, de José Ribamar Bessa, da liderança estudantil, das novas lideranças como Margarida Campos, de militantes da AMAPAM, APPAM e Igreja Católica, da OAB de José paiva Filho, etc. Para Arthur Neto, há atualmente no Amazonas uma oposição ainda não partidária, que é talvez mais forte do que aquela outra, restrita aos quadros partidários institucionais. Para ele, ou se atrai essa oposição para a frente antiditadura ou o MDB repetirá os fiascos do MDB de antes, tibiamente conduzido por Joel Ferreira.

Finalmente usou da palavra o senador Carreira, para endossar o critério de grupos proposto por Arthur Neto, ao mesmo tempo em que repudiava o veto ao nome de Francisco Queiroz.

Novas tentativas de entendimento: a intermediação de Jader Barbalho

No dia seguinte, nova reunião teve lugar no Palácio do Congresso, sugerida e mediada pelo deputado Jader Barbalho, do Pará. Dela participaram Mário Frota, Fábio Lucena, Arthur Virgílio Neto e o vereador Carrel Benevides.

Como novidade, ressalte-se o fato de que Lucena transmitiu a Virgílio Neto que havia refletido melhor e concluído que não se justificava o veto a Queiroz nem a não-inclusão de Arthur Virgílio Filho. O primeiro entraria no lugar do senhor Mário Antonio Susman, jornalista e empresário ligado ao grupo Frota/Lucena, entrando o 2º no lugar de Félix Valois.

Não concordou Arthur Virgílio Neto com a segunda substituição, tendo afirmado na ocasião que o nome de Valois era, para ele, questão fechada. Como, entretanto, era o único do seu grupo a tomar parte no encontro, prometeu transmitir aos demais, em Brasília e em Manaus a proposta feita por Lucena. A essa altura, eram os seguintes os nomes “concedidos” por Fábio: Arthur Virgílio Filho, Arthur Virgílio Neto e Francisco Queiroz. O senador Carreira, dado o mandato, tinha sua vaga garantida de antemão. As demais 7 vagas estavam todas preenchidas por elementos que o vereador Lucena julga ligados a seu grupo.

Vale dizer ainda que, em todas as discussões, Arthur Virgílio Neto contestou no senhor Lucena poderes para fazer listas, vetar nomes ou “conceder” lugares na Executiva.

A última reunião: O impasse

No 3º dia de diálogos, nova tentativa de entendimento se fez, desta vez no gabinete e sob a presidência do deputado Ulysses Guimarães, com a presença de Freitas Nobre, Fernando Coelho, Lucena, Frota, Carreira, Virgílio Neto e Ajuricaba Monassa, amazonense convidado por Arthur Virgílio Neto.

Após rápida preleção de Ulysses, Fábio pediu a palavra e exibiu credenciais de alguns emedebistas do interior e da capital e, nessas condições, solicitando fosse aprovada pela Executiva Nacional e chapa de 11 nomes por ele apresentada. Alheios ao grupo de Fábio, dentre esses 11 havia apenas os mesmos Arthur Virgílio Filho, Arthur Virgílio Neto, Francisco Queiroz e Evandro Carreira. Ou seja, maioria mais absoluta para o grupo de Fábio.

Falou a seguir Arthur Neto, que levantou basicamente os seguintes pontos:

a. Não aceitaria ser caudatário de Mário Frota ou Fábio Lucena;

b. Ponderou a Ulysses Guimarães que aquelas credenciais tinham pouco valor prático, por se tratar de apenas parte dos diretorianos do MDB no interior, onde a oposição sempre foi “surrada” sem piedade pelo oficialismo. E também, tais credenciais jamais foram suficientes para que Fábio e Mário desbancassem Joel Ferreira e seus seguidores. Além do mais, trata-se de documentos assinados por parlamentares do extinto MDB que, em grande número teriam assinado inadvertidamente as listas que lhes foram apresentadas. Exemplos: Clementino Silva e Josué Batista estão, ao que tudo indica, indo para o Arenão; José de Aquino revogou a assinatura dada em favor de Frota, o mesmo ocorrendo com o vereador Rui Adriano, etc.

c. Contaria mesmo quem trouxesse consigo a oposição não-partidária. E esta não se acha, decididamente, com Mário nem com Fábio.

O terceiro a colocar suas ponderações foi o senador Evandro carreira, que relembrou, diante de Ulysses Guimarães, a história do veto a Queiroz, bem como as palavras de Fábio, quanto a vetar “o inimigo do dono da empresa” da qual dependeria. Aparteou-o o vereador Lucena afirmando que não teriam sido essas as suas palavras, mas sim “veto o inimigo da empresa da qual sou funcionário”.

Carreira disse ainda que não abria mão do direito de indicar 4 nomes que seriam ele próprio, Queiroz, o vereador Davi Rocha e o ex-prefeito de Tefé, senhor Afonso Alves. Nessa ocasião Fábio argumentou contar com o apoio dos diretorianos  do ex-MDB de Tefé, ao que Arthur Neto se contrapôs, afirmando que quem possuía prestígio em Tefé era mesmo Afonso Alves, no que foi apoiado por Carreira, que lembrou o fato de os aliados de Fábio não contarem com nenhum vereador na Câmara tefeense.

Após marchas e contramarchas, Fábio concordou em incluir o nome de Felix Valois, satisfazendo assim parte das exigências de Arthur Virgílio Neto, que eram as indicações de Arthur Virgílio Filho, Felix Valois e Ele próprio.

Faltava agora, dentro do critério de grupos, que se respeitassem o direito de Carreira fazer as 4 indicações que lhe cabiam. Argumentou Fábio que Afonso Alves e Davi Rocha não teriam expressão para figurar numa Executiva Regional – tendo Evandro dito, em contraposição, além de contestar a assertiva, que ele, Fábio, estava querendo construir um partido doméstico, semelhante ao mamolengo dos ventríloquos. E concluiu Evandro pelo oferecimento de , em nome da conciliação, substituir os nomes de Davi e Afonso por outros como Bernardo Cabral, atual Secretário Geral do Conselho Federal da OAB e José Paiva Filho, atual presidente da OAB-AM. Arthur Neto sugeriu ainda o ex deputado José Dutra, ex Secretário Geral do MDB-AM, como nome que poderia conciliar as três alas. 

O impasse: Fábio na Presidência

Em determinada altura da conversa, já na ausência de Ulysses, Fábio declarou textualmente que não abria mão da maioria e nem da sua própria indicação para a presidência da executiva.

Carreira, então, discutiu acaloradamente com o vereador, tendo dito que suas “convicções” libertárias estariam ultrajadas caso aceitasse a auto-indicação de Fábio para a presidência de um partido que ainda nem constituído estava. E retirou-se da sala.

Virgílio Neto e Fábio, então, na presença de Frota e Ajuricaba Monassa e auxiliados por Freitas Nobre e Fernando Coelho, conversaram demoradamente, tendo Fábio dito que, caso lhe fosse destinada a presidência do grupo, ale não abriria mão da Secretaria-Geral e da presidência dos diretórios de Manaus, Itacoatiara e Tefé. Arthur Virgílio considerou o avanço da proposta, mas, ainda assim, encerrou-se a reunião na estaca zero.

Decisão da executiva nacional: Fernando Coelho em Manaus

Tendo em vista o impasse, a Executiva Nacional Provisória decidiu enviar a Manaus, nos próximos dias, um dos seus membros, o honrado deputado Fernando Coelho, eleito pelo MDB pernambucano. Caberá a ele verificar que apoios efetivamente conta cada uma das três correntes e, após, fazer relatório que embasará a reunião do dia 4 de fevereiro vindouro, em que a Executiva Nacional se pronunciará sobre a pendência.

Diz Arthur que sua posição é de total e absoluta tranquilidade: “nunca me passou pela cabeça ingressar no PT, ao invés do que tem declarado o deputado Frota. Minha opção é o PMDB; acredito na necessidade de aglomerarmos os democratas em frente ampla contra a ditadura militarista, entreguista, elitista, assassina e fascistizante. Minhas decisões são sempre bem pensadas e medidas. Confio no equilíbrio e honradez de Ulysses Guimarães, Fernando Coelho e de todos os demais membros da Executiva Nacional. Trago, porém, comigo de que não serei caudatário de pessoas e ideias que aceito para somar com as minhas, nunca para me comandar os passos”.

Conclusão

Finaliza Arthur Virgílio: “recentemente, em nota à imprensa amazonense, o deputado Mário Frota deu a sua versão do que teria ocorrido na última reunião de membros da oposição amazonense, em Brasília. Dou-lhe razão, quando afirmou não ter havido insultos partidos de mim para o vereador Fábio Lucena. Não o insultei, de fato não teria porque insultá-lo; não faço política à base de insultos, o Amazonas sabe disso muito bem. Chegamos a debater com calor, mas educadamente, porque me recusou a aceitar diktats e listas prontas, que não me descem pela goela.

Quanto ao item da nota de Mário Frota, que faz referência a meu pai, agradeço o respeito que ele diz sentir pelo ex senador. Mas lembro igualmente que não lhe cabe questionar o passado de um homem que não hesitou em ser cassado por bravura política. Não aceito que tal ocorra e o faço certo de ser esse o meu dever de companheiro e de filho, numa hora em que Arthur Virgílio Filho está ausente da cidade. A mentira não existe no nosso dicionário, nem nos falta disposição para o combate.

Transcrição do Jornal A Notícia de 22 de janeiro de 1980, p. 11.

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