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populares Amazonas, Manaus, Durango Duarte, Blog do Durango
26 de janeiro de 2015 às 08:31.

Série Especial – Movimento da Discórdia Baré (MDB)

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QUEIROZ: VETADO POR SER HONRADO

A nossa reportagem procurou, ontem, o deputado Francisco Queiroz, para ser ouvido sobre a entrevista dada a este matutino pelo diplomata Arthur Virgílio Neto, primeiro suplente do extinto  MDB da Câmara Federal dando conta de que o vereador e ex-líder do MDB à Câmara Municipal, vetara o seu nome, na primeira reunião preparatória feita em Brasília, para a fundação do PMBD, sob a presidência do senador Paulo Brossard, sob o pretexto de que o deputado era inimigo da empresa jornalística da qual dependia o vereador Fábio Lucena.

O deputado Francisco Queiroz confirmou a revelação e disse que tivera conhecimento do fato inicialmente por telefonema de Evandro Carreira, e depois do próprio Arthur Virílio Neto, na capital do Estado.

“Recebi o fato com surpresa – disse o parlamentar oposicionista – porque nada, absolutamente nada, em minha vida pública, que já é longa, justifica qualquer veto à lembrança do meu nome honrado, para integrar a Comissão Provisória.

Pela minha formação moral e política, fui sempre um homem da unidade partidária e, em função dessa vocação entranhada, sempre preguei a concórdia, condenei as retaliações pessoais entre companheiros, reclamava a fidelidade partidária e busquei o entendimento necessário.

A minha atuação parlamentar, norteada pela seriedade, pela lealdade e pela combatividade, e uma demonstração viva e eloquente destes princípios que carrego nos gestos e no coração.

Por tudo isso, chocou-me o gesto insensato do veto, proferido e minha ausência, sobretudo pelo obscurantismo de sua motivação, mas não guardo ressentimentos, porque me senti profundamente sensibilizado pela reação de Evandro Carreira, Arthur Virgílio Filho e Neto e Paulo Brossard, que chegou a estranhar o baixo provincialismo do veto, que não conferia com o espírito do Partido”.

Perguntado sobre o resultado das outras reuniões, o deputado Francisco Queiroz, declarou, ainda, que “pelos informes colhidos, antes da segunda reunião, o deputado Ulysses Guimarães, conversando informalmente com Teotônio Vilela, Franco Montoro, Orestes Quércia, Freitas Nobre, Mário Covas, Pacheco Chaves, Fernando Henrique Cardoso, Evandro Carreira, Arthur Virgílio Filho e Neto, fez referencias envaidecedoras à minha pessoa, à minha conduta e à minha lealdade, postas à prova durante o exercício do mandato ou no ostracismo político”.

“De fato, – continua o entrevistado – nunca encaminhei relatórios escabrosos à Direção Nacional do Partido, tachando companheiros de lenocinistas, corruptos, maconheiros e receptadores de furto, deformando a imagem do Partido perante a opinião pública: bem ao contrário, só encaminhei moções, indicações e sugestões, todas ditadas pela coerência partidária, pela mística da combatividade e pela sobrevivência do Partido”.

O deputado fez uma pausa e, seriamente preocupado com os rumos do futuro PMDB, no qual pretende continuar até a morte, disse escandindo:

“Também gostaria de acrescentar que não dependo de ninguém, nem tampouco de empresas, mas tão somente de Deus e minha consciência”.

Transcrição do Jornal A Notícia de 23 de janeiro de 1980, p. 07.

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