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populares Amazonas, Manaus, Durango Duarte, Blog do Durango
9 de fevereiro de 2015 às 13:00.

Série Histórica das Eleições de 1976

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ALOÍSIO: “NOTA DA ARENA VEIO PARA CONFUNDIR E NÃO INFORMAR”

Considerando que a nota arenista, mais uma vez assemelha-se  com o slogan do comediante Chacrinha ‘não vim para explicar, vim para confundir’, o deputado Aloísio Oliveira do MDB, prestou uma interessante entrevista: “A Arena publicou ontem mais uma de suas “notas”, sob nenhum pretexto justo, já que a primeira recebera a resposta à altura dos diretórios Regional e Municipal do MDB. Assim, a que título, então, veio a segunda “nota” arenista? É isso que o povo está perguntando nas ruas? Ou será que o Partido do Governo deseja ganhar as eleições através de “notas”?

Sobre os fatos veiculados na segunda nota, Aloísio Oliveira fala de sua interpretação: “A Nota de responsabilidade da Arena sob o título “MDB Traiu o Povo e Confessa Corrupção”, reprisando os fatos, inclusive contentados, remoendo eventos (e a expressão é bem característica porque estamos vivendo ainda as duras consequências da ausência de carne) completamente distorcidos na tentativa vã de confundir a opinião pública, outro sentido não tem senão reduzir o impacto das sérias acusações contra o Governo, com que a jornalista e candidata Beth Azize fez deleitar a grande clientela de A NOTÍCIA, na sua edição de domingo último”.

“Quando todo mundo esperava uma explicação do Governo às denuncias do verdadeiro mar de lama existente na Codeama, e em cujo rosário de irregularidades o diretor executivo desse órgão técnico chega a assinar ato de se promovendo, eis que a Arena, por seu diretório regional, unicamente para confundir, já que não explica nada, volta a reprisar assuntos amplamente esclarecidos, reeditando o processo de exumação talvez por homenagem aos mortos, cujo dia de hoje comemoramos”. 

“A “nota” é mais uma perseguição de caça às bruxas, no sistemático trabalho de entregar alguém e faz uma revelação inédita: O Governo do Estado não quis desrespeitar a decisão das urnas e não comprou o voto do deputado Aquino, o que, além de contrariar os princípios da Revolução de 1964, seria o mesmo que comprar a maioria da Oposição, pois a diferença é de apenas um, como não comprou de outros que estiveram no Palácio Rio Negro para mercantilizar seus mandatos e cuja história fica guardada para oportunidade futura”.

“Confesso que o tópico acima da “nota” arenista simplesmente estarrece, compunge, escandaliza, comove e entristece. E esta nossa posição procede porque o Palácio Rio Negro, como sede do Governo estadual, logo, centro da decisão dos negócios do Estado, não pode se equiparar às feiras livres e muito menos aos supermercados, como dá a entender grosseiramente a colocação em exame. É que a Arena, de tanto dedurar, de tanto insistir no fúnebre apontar das cabeças, sem que se apercebesse dedura também a administração de Henoch Reis, assim posiciono, embora muita gente faça outro juízo, afirmando que a denúncia seja proposital porque o governador está assessorado por um Fidelista confesso, conforme se tem notícia através da imprensa, o que não tem simpatia de certa corrente palaciana”.

“Além da imagem que a Arena projeta do Governo, como dentro das negociatas espúrias (releia novamente o tópico), como membro da oposição INTIMO A ARENA A APONTAR A OPINIÃO PÚBLICA OS QUE ESTIVERAM NO PALÁCIO RIO NEGRO PARA MERCANTILIZAR SEUS MANDATOS, SOB PENA DE TRANSFORMAR TAMBÉM O PARTIDO DO GOVERNO, ONDE ENCONTRAMOS HOMENS ÍNTEGROS E SENHORAS HONESTAS, EM VALHACOUTO DA MENTIRA E INSÍDIA, DA SOLERCIA E DA DEMAGOGIA, contrariando, flagrantemente, e denodado e patriótico trabalho do insigne Presidente da República, General Ernesto Geisel, voltado, todo ele, para o rumo da democratização”.

“O nosso Estado vive, presentemente, o terrível problema da sombra, e não podemos atribuir essa condição pela incidência intensiva dos raios solares. Estão vendo subversivos por toda a parte, e mais acentuadamente nas casas Legislativas. O que, afinal, estaria acontecendo? O que não seria de Oposição, neste Estado, se contasse com os meios de provas mais convincentes para aumentar o cerco de sua finalidade essencial nas áreas estadual e municipal? Porque só pelo desempenho modesto e até certo ponto acautelador de certas críticas sobre o Frigomasa, sobre a cobrança de impostos dos conjuntos da Sham e sobre algumas áreas do Governo Estadual, a exemplo do escândalo da Codeama, estão vendo subversivos em toda a parte? Não seriam essas posições radicalizadas (triste Voltaire, defenderei – até a morte o teu direito de dizer, sem concordar um só instante com o que dizes), uma pregação subretícia contra a instituição das eleições livre, ou um esvaziamento de consciência, numa espécie de “mea culpa” subjetivo?

Por derradeiro – concluiu – a “nora” da Arena é clara: “Não vim para explicar, vim para confundir”.

Transcrição do Jornal A Notícia de 02 de novembro de 1976, p. 11.

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