16 de fevereiro de 2015 às 13:00.

Série Histórica das Eleições de 1976

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DOMINGOS CHAMA PAULO DE ASSASSINO. PAULO CHAMA DOMINGOS DE CACHORRO.

A reunião de ontem na Assembleia Legislativa andou, em alguns momentos, querendo esquentar o tempo, faltando pouco para repetição dos atos condenáveis, realizados em outras ocasiões e dos quais o povo já tem conhecimento.

À certa altura dos trabalhos, mais precisamente dentro das “Explicações Pessoais”, a troca de palavras ásperas entre os deputados Domingos Sávio e Paulo Sampaio foi anotada pelos jornalistas credenciados à Casa.

O deputado Domingos Sávio iniciou um trabalho de defesa à política do Governo, com a criação de novos empregos no CODEAMA, rebatendo as críticas feitas nesse sentido, por uma candidata à vereança pelo MDB. O parlamentar arenista começou a discursa no pequeno expediente, entrando também, pelo grande expediente, não concluindo, porém, seu trabalho.

Aqui e ali, Domingos Sávio fazia alguns comentários a respeito de vencimentos e salários, deixando a entender que a acusadora ao Governo do Estado, não “aprendeu ainda a diferença entre salário e vencimento”, para logo a seguir, acrescentar que aquela candidata que criticava o Governo do Professor Henoch Reis, não sabia o que era “salário e vencimento, mas que era especialista em bacanal bacana”.

Enfatizou o deputado Domingos Sávio à política social do Governo do Estado, atendendo a todos os seus governados, especialmente sua dedicação para a classe do funcionalismo público, anunciando inclusive, para janeiro de 77, um novo aumento em seus vencimentos sem ser preciso usar “recursos demagógicos”, como é o caso de se haver pedido ontem, nesta Casa, um abono de emergência.

O tempo concedido ao deputado arenista estava, porém, esgotado. Inscrito em “Explicação Pessoal”; o deputado deixava a tribuna anunciando que voltava mais tarde, isto é, dentro daquela fase das “explicações”.

O deputado Paulo Sampaio, líder do MDB, por seu turno ocupou sua tribuna para, inicialmente, contestar o que afirmara o deputado Domingos Sávio, quando disse que o seu pedido ao Governador Henoch Reis para conceder um Abono de Emergência ao funcionalismo; não tinha qualquer caráter demagógico.

“Fí-lo com a intenção de ajudar uma classe que vive desassistida. Todos sabem que com a falta de carne subiu o preço do peixe, da galinha e de outros gêneros alimentícios, considerados de primeira necessidade. E, para completar o castigo, ainda falta água e transporte para o povo. Seria justo, portanto, que o Governador Henoch Reis baixasse hoje (ontem) um decreto concedendo um abono de emergência para a classe do funcionalismo público”, disse Paulo Sampaio.

Antes, porém, de deixar sua tribuna, o deputado Paulo Sampaio iniciou a leitura de uma nota oficial da Executiva Estadual do MDB, rebatendo as acusações de uma nota publicada pela Arena, em jornais locais. Também a nota emedebista não foi concluída em sua leitura em face de ter esgotado o tempo concedido ao líder emedebista.

ASSASSINO X CACHORRO

Chegada à hora das “explicações pessoais” como primeiro orador inscrito se encontrava o deputado Domingos Sávio. O mesmo foi chamado pelo presidente da Mesa e, como respondesse logo, a palavra foi oferecida ao orador subsequente. O deputado Domingos Sávio levantou uma questão de ordem, “dizendo à Presidência que havia sido prejudicado pela medida tomada pela presidência. Travou-se uma discussão paralela entre os deputados Domingos Sávio, Natanael Rodrigues e o presidente Aloísio Oliveira. O líder Paulo Sampaio, de sua bancada, falava para o seu companheiro Natanael Rodrigues, quando o parlamentar Domingos Sávio, dirigindo-se para o líder da maioria, dizia: “não adianta que eu não falo com criminoso, com gente que manda matar e depois de oferece para defender os interesses dos familiares da vítima”.

O líder Paulo Sampaio, ainda de sua bancada, chamou o deputado Domingos Sávio de “cachorro que vai apanhar”.

Por alguns instantes, os dois parlamentares andaram trocando palavras ásperas, repetindo-se sempre as expressões “cachorro” e “assassino”.

Com o prosseguimento dos trabalhos, isto é, com outros oradores usando a tribuna, os ânimos foram se acalmando, também com alguns deputados se retirando do plenário, até a verificação de um número legal para prosseguimento da sessão, obrigando que o presidente desse a reunião por encerrada.

Transcrição do Jornal A Crítica de 05 de novembro de 1976.

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