19 de julho de 2022 às 17:30.

Tempos difíceis

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Os quase quatro anos de administração do presidente Jair Bolsonaro resultarão em mais um período de estagnação econômica, associado a significativas perdas no campo social. O Produto Interno Bruto (PIB) projetado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para 2022 é de 1,8%.

A economia “pato manco” do ministro da Economia, Paulo Guedes, indica um crescimento médio anual desta gestão de apenas 1%, similar a década de 1980. O nível elevado de desemprego e a queda da renda são marcas indeléveis do estilo fanfarrão de Bolsonaro.

A inflação de dois dígitos acumulada em 2021, três vezes maior do que o centro da meta fixado, tem diversos fatores. Um deles, a falta de estoques reguladores (arroz, carne etc.) não executados pelos Governo, que resultou em altas de preços descontroladas.

Temos também os preços dos combustíveis derivados de petróleo, pela lógica da política de preços da Petrobras, que agora é a única e exclusiva culpada, segundo palavras do próprio presidente da República. Nem a recente redução do ICMS, por exemplo, trouxe os preços para um patamar aceitável. E há, ainda, as questões da cotação do dólar e da energia elétrica, que não escapam da inoperância do “Posto Ipiranga”.

O negacionismo e o obscurantismo durante a gestão da pandemia são responsáveis por boa parcela das mais de 675 mil mortes (até o momento), e deixaram outros milhões de brasileiros com sequelas da Covid-19.

Na cabeça de quem não possuiu massa encefálica, o mundo está dividido entre o bem e o mal. O dito “Centrão” ajudou, nos últimos 18 meses, a, praticamente, acabar com uma economia sustentável, além de outras agressões às melhores normas constitucionais.

Para, talvez, tentar recuperar o desempenho nas urnas, aprovaram a PEC das Bondades, um verdadeiro estelionato eleitoral. E na receita desse bolo não faltam assédio sexual e nem dízimo no Ministério da Educação. O país está dividido, sem projeto e sem rumo.

Um cenário dantesco em que a apologia ao personalismo degenera as boas perspectivas que merecemos para o Brasil.

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