16 de março de 2020 às 11:02.

Eleições 2020: Por dever de ofício – Parte II

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Em 16 de abril de 2018, publicamos a primeira pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito de governador do Amazonas daquele ano, com Wilson Lima liderando a disputa, Amazonino em segundo e David em terceiro, ordem que acabou se confirmando ao término da eleição.

À época, não houve uma única opinião concordante, salvo melhor juízo, um festival de ataques e ironias. Resumindo a percepção mediana, as afirmações foram “Isso é impossível!”, “Quem é este que eu nunca ouvi falar?”, “Como pode um extraterrestre invadir o mundo político e derrotar o REX IMPERATOR Mendes?”.

Ninguém se desculpou, pela tradicional arrogância fatalista ou pelas análises simplórias que transbordam nas redes sociais e no WhatsApp.

No ano anterior, outro cataclismo já havia assolado a logica baré: a vitória de Amazonino na eleição suplementar, sem nenhuma proposta e com o bordão de “arrumar a casa”.

O que poucos percebem na narrativa da política amazonense é que, se o então deputado David Almeida tivesse um partido para concorrer, ele deixaria Amazonino jogando dominó e ainda se reelegeria em 2018.

O senhor Mendes, depois do dia 4 de outubro de 2017, exerceu o mandato mais repleto de traições e desídias. O “mau menino“, um dos seus inúmeros apelidos (agora, com quase 81 anos), foi ingrato com os que viabilizaram sua eleição, um forte traço de sua personalidade.

 

O que pretende Amazonino em 2020?

Entre 2018 e 2019, a iMarketing realizou doze pesquisas. Estamos vivendo, há meses, uma polarização entre David Almeida e Amazonino Mendes. A questão-chave é saber se esse confronto tem sustentação até o dia 4 de outubro.

Mendes foi o pior prefeito dos últimos 40 anos de Manaus, no período entre 2009 e 2012. Toda a sua gestão vira à tona e muitos outros fatos históricos que poderão incomodá-lo de maneira cruel. Não terá vida fácil.

Sinaliza filiar-se ao Podemos, entretanto, sonha que Eduardo Braga lhe convide para se filiar ao MDB, com a lógica de que usaria a Prefeitura de Manaus (em caso de vitória) em favor da eleição do senador ao governo do estado, em 2022. Braga, somando sua rejeição com a de Amazonino e vice-versa, seria estranho e/ou desastroso.

David não passará os próximos meses incólume, como até agora conseguiu. Enfrentará todo tipo de adversidade.  Ele, de fato, é o mais forte concorrente à vitória neste momento, por deter um ativo invejável: a baixíssima rejeição. Num segundo turno, isso vale ouro e outros metais preciosos.

Os demais 13, 14 ou 15 nomes devem refletir sobre suas atuais posturas. Com exceção de dois outros nomes em particular, todos os outros estão no parquinho de diversão, brincando de roda-gigante. Alguns amadores travestidos de profissionais e outros sem fôlego para botar a cara na rua.

 

Quais as principais expectativas do eleitor de Manaus em relação ao próximo prefeito?

A maioria da população estará sintonizada em três eixos temáticos.

O primeiro, segurança, que é, essencialmente, de responsabilidade da esfera estadual, mas os eleitores querem e exigirão uma maior participação do Município na redução do problema que mais apavora os eleitores.

O segundo é um problema de infraestrutura e logística que Manaus apresenta há décadas: trânsito e transporte coletivo. Não uso a expressão mobilidade urbana, porque a população tem ojeriza a ela.

O terceiro é derivativo das medidas adotadas pelas autoridades de saúde do Amazonas em relação ao COVID-19 (coronavírus) e outras doenças que se associam neste momento. Se o número de óbitos e o caos nas unidades ocorrerem em escala acima da média, um ou mais nomes pagarão essa fatura.

O tal de “novo” é a palavra e projeto que morreu na última eleição. Ideias de uma cidade diferente e moderna, com práticas inovadoras, estarão longe de qualquer empatia coletiva. Bom discurso, mas não aglutina votos.

O pragmatismo vencerá, como na maioria das vezes. Pior é acreditarem que Bolsonaro ajudará alguém em Manaus, miopia sem limites.

O poder eleitoral nas mãos do prefeito ainda existe e pode fazer uma diferença em qualquer projeto que pretenda ir para o segundo turno.

Tudo se transforma, e o que é sólido se desmancha no ar.

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