30 de outubro de 2019 às 10:00.

Eleições 2020: Quem não for craque vai ser gandula

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Tamanho da rejeição dos pré-candidatos definirá o destino da eleição

A nova pesquisa de intenção de voto da iMarketing para prefeito de Manaus foi realizada entre os dias 25 e 28 de outubro, com a participação de 2.000 pessoas das seis zonas administrativas da capital. A margem de erro é de 2,2%, para mais ou para menos, com grau de confiabilidade de 95%.

O estudo contém um único cenário para a Prefeitura de Manaus, com três opções de voto e três opções de rejeição, além de apresentar três cenários de 2º Turno, contendo os nomes que foram avaliados na pesquisa de setembro.

Como tradicionalmente a iMarketing está fazendo desde o início das rodadas, também foi perguntado aos participantes se eles preferem um nome novo para administrar a cidade ou alguém com mais experiência.

A novidade desta rodada é a apresentação de um cenário para presidente do Brasil, com a inclusão dos nomes mais mencionados atualmente no País.

A iMarketing deverá realizar mais uma rodada até o fim do ano, completando 12 estudos.

Até agora, nossas pesquisas incluíram mais de 30 nomes, de todos os partidos. Em alguns casos, algumas legendas tiveram mais de um nome testado.

 

David Almeida

David Almeida aparece em primeiro, com 18,7%. É o nome que obteve o melhor desempenho em todas as 11 pesquisas realizadas desde outubro de 2018. Liderou com relativa vantagem em alguns estudos e, em outros, empatou tecnicamente, na maioria das vezes com o seu principal adversário, o deputado petista José Ricardo.

Nesta rodada e na anterior, o nome de Amazonino se tornou seu concorrente direto.

David possui um potencial de votos invejável nas três opções disponíveis aos entrevistados: 41,8%. Nas duas simulações de 2º Turno, ficou à frente.

Entretanto, a vantagem sobre Zé Ricardo deve ser compreendida como irrisória (12,7%), já que, entre os dias 5 e 25 de outubro de 2020, provavelmente o eleitorado deverá se comportar de maneira volátil, e os acordos de bastidores ganharão enorme dimensão.

Seu desafio imediato é conseguir viabilizar uma frente de partidos, com tempo de televisão e os recursos necessários, para a realidade objetiva que uma eleição demanda. O ditado em que treino é treino e jogo é jogo serve sempre para afirmar que a liderança de agora poderá ser pulverizada quando a bola rolar de verdade.

David, assim como os demais pré-candidatos, não possui propostas para Manaus. O que todos dizem, pelo que acompanhamos, são somente frases sem conteúdo e antiquadas, em sua maioria. O eleitorado pode cobrar mais do que sorrisos, selfies e lives.

A sociedade manauara vai às urnas, como foi em 2004: quer derrotar o status quo, mesmo que isso possa representar um futuro incerto. David ainda será alvo dos demais concorrentes. Hoje, disputa sem adversários e livre do contraditório, como nos mostra a sua rejeição nesta pesquisa, que é de 10,8%.

Seu favoritismo só servirá se ele não errar, senão, poderá amargar uma nova terceira colocação.

 

José Ricardo

O deputado federal José Ricardo continuará a depender da boa vontade da direção do Partido dos Trabalhadores, vide os resultados recentes da escolha da direção regional. Essa disputa interna prejudica seu projeto eleitoral.

Neste estudo, obteve 13,3% e ficou na terceira posição, no limite máximo da margem de erro em relação a David e Amazonino, além de ter conquistado o segundo maior potencial de votos: 30,3%.

A rejeição total de Zé Ricardo é de 12,2%.

Seu nome deve trilhar o mesmo trajeto que o do seu colega Praciano: usar as eleições intermediárias do mandato parlamentar para concorrer ao Executivo municipal e, assim, lograr mídia favorável para a próxima eleição, entre outros benefícios. Essa tática reduz as dificuldades de qualquer reeleição.

O petista ainda pode ser impactado pelo destino de Lula. Inclusive, realizamos um cenário presidencial nesta rodada, e os números mostram que o ex-presidente perdeu fortemente sua popularidade, para a inquietação e discordância dos militantes.

Zé Ricardo manteve uma média de 14 pontos percentuais nas 10 pesquisas anteriores. Destaco que sua capacidade de chegada nos últimos sete dias, entre todos os players, é a melhor, uma variável a ser considerada.

O deputado não tem atuado de acordo com o que se espera de sua condição ideológica, fazendo oposição à atual gestão, e isso abre espaço para outros nomes. Uma pergunta rápida para sua reflexão: quem é oposição de fato ao prefeito? Uma eleição tem dois lados: situação e oposição. O eleitor procura se identificar com aquele que melhor representa essa polarização.

Amazonino Mendes

Se tiver coragem de concorrer, Amazonino Mendes perderá a eleição. Sua rejeição acumulada é de 40,4%. Existe um fato histórico no Amazonas: quem detém mais de 38% de rejeição não ganha eleições. O político vivo mais poderoso que o Amazonas já teve ainda consegue uma sobrevida graças ao efeito colateral da gestão Wilson Lima.

Amazonino foi, em seu último mandato, o pior prefeito dos últimos 40 anos de Manaus. Ele representa o lado ruim e superado da política. É responsável pelas piores práticas administrativas das últimas quatro décadas, apesar do volume de realizações.

Ao longo de sua carreira, conquistou apoios de todos os lados prometendo e – inúmeras vezes – enganando. Terá papel importante no processo eleitoral, sim. Isso é fato. Poderá colaborar com a vitória de alguém. Os números da nossa 11ª pesquisa apontam Mendes em segundo lugar, tanto na espontânea (8,1%) quanto na estimulada 1ª opção (17,8%). Seu potencial de votos é de 29,6%.

Em dois cenários de 2º Turno, o efeito da rejeição acumulada aparece de maneira drástica. Perde para David Almeida por 16,3 pontos percentuais e para José Ricardo por 10,2 pontos. O Laborum Meta, expressão que proferi no dia 16 de outubro de 2018 em relação a carreira de Amazonino, ainda não perdeu a validade.

 

Chico Preto

O nome do vereador Chico Preto é o quarto a ser analisado, e a razão está diretamente relacionada ao fato dele ter atingido um potencial de votos, até então, inesperado (21%), superando nomes que, há alguns meses, estavam, confortavelmente, à sua frente. Seu potencial de rejeição ficou em 10,3%.

Isso pode ser explicado por uma única razão: Chico agregou à sua imagem o contraponto à administração de Arthur Neto, o que nenhum dos outros tem realizado com o devido sucesso. Candidatos híbridos (um pé aqui, outro lá, a turma do muro), na maioria das vezes, caminham mais rápido para o fracasso.

O vereador, entretanto, depende de muitos fatores objetivos para viabilizar, de fato, uma candidatura. Ele tem mais uns seis meses para cumprir essa difícil missão. Caso contrário, poderá ficar no “pântano amaldiçoado” dos candidatos, com 2% a 4%, na reta final. Os exemplos existem em, praticamente, todas as eleições em Manaus. Na primeira opção, Chico obteve 5,4%.

 

Serafim Corrêa

Depois de Amazonino, é o político mais antigo a participar desta pesquisa. Foi prefeito ao derrotar Mendes e perdeu sua reeleição para o próprio Negão.

Tem se posicionado em não ser candidato. Acumula uma rejeição de quem esteve no poder (34,4%), e, na 1ª opção da estimulada, atingiu 5,3%. Seu partido pode compor uma aliança competitiva. Tem uma boa bancada federal que ajuda muito com o tempo na propaganda eleitoral. Serafim será, no futuro, melhor lembrado como gestor. Pagou um preço alto por não seguir as regras maquiavélicas da relação com os grupos de comunicação.

 

Capitão Alberto Neto

O deputado federal conquistou 5,2% das intenções de voto. Já obteve números superiores em outros estudos. Não controla a máquina partidária. O partido é dirigido pelo também deputado federal Silas Câmara, que negocia, sem nenhum constrangimento, com outros grupos. Silas precisa recuperar sua força política que foi bastante atingida em 2018. Por isso, fará a escolha com base na viabilidade real de vitória. Alberto Neto pode ser utilizado para compor uma chapa como vice.

 

Marcos Rotta

Até o mês de agosto, o vice-prefeito Marcos Rotta manteve uma média de 10 pontos percentuais. Porém, nos últimos quatro estudos, seu desempenho caiu pela metade, e, nesta pesquisa de outubro, ele ficou com 4,9%. Possui o quinto melhor potencial de votos (16,2%) é uma rejeição acumulada de 17,5%.

Sua volta à televisão não agregou absolutamente nada à sua performance, o que nos leva a inferir que o formato e conteúdo do seu programa esteja, no mínimo, superado.

Rotta fez uma trajetória partidária turbulenta nos últimos três anos, com muitas mudanças de lado, algumas até polêmicas e em doses elevadas para serem digeridas pelo eleitorado. Para completar, há uma incongruência quase insolúvel: afinal de contas, o garoto propaganda da campanha de 2016, sob o lema “Somos uma só Manaus”, é ou não cogestor?

Quanto da população sabe qual o papel de Rotta na Prefeitura de Manaus?

Rompido com Arthur, dava a postar, nas redes sociais, que estava na rua trabalhando. Trabalhando para demonstrar sua preocupação com a cidade ou ajudando o prefeito?

Rotta não acertou o timing de suas atitudes políticas. Agora, filiado ao DEM de Pauderney, que está a serviço do governo Lima, qual a percepção do eleitorado sobre Rotta em mais esta situação? Quem é esse político? O que ele tem a dizer?

Parece que sempre ficará na defensiva ou se justificando, o que é fatal. Um refém de si mesmo. Sua capacidade de comunicação ajuda, porém, precisa encontrar conteúdo, consistência e coragem.

 

Marcelo Ramos

Após viver no centro do furacão em duas eleições majoritárias e, atualmente, exercendo um bom mandato em Brasília, não consegue transformar seu significativo esforço em votos. Ficou na sétima colocação, com 4,5%. É um dos políticos com grande capacidade de recuperação e posicionamento. O partido de Ramos está nas mãos de Alfredo Nascimento. O ex-prefeito vai utilizar a legenda em igual lógica a de Silas: fortalecer seus interesses com acordos em que possa colher uma eventual volta em 2022.

 

Conceição Sampaio, Josué Neto, Felipe Souza e Yann Evanovick

Este grupo totalizou 7,5% das intenções de voto. Conceição depende 100% dos caminhos que o prefeito Arthur escolher para sua carreira. Josué Neto articula-se para todos os lados, mas não converte isso em resultados práticos. Vende a ideia de ser a alternativa contra o favoritismo de David e Zé Ricardo. Todavia, sua performance é baixa neste momento: 2,5%. Vai precisar profissionalizar seu projeto, senão nem candidato será. O deputado estadual Felipe Souza concorrerá para ajudar os candidatos a vereador do seu partido. E quanto ao jovem Yann, este não pode dizer nada, pois quem manda no PCdoB é o Eron, e pronto!

 

Romero Reis

O Partido Novo possui um processo de seleção dos seus candidatos, em conformidade com as melhores práticas mundiais. Porém, isso não o exime de eventuais manipulações através de filiações controladas por determinado nome, nem de cooptações subliminares de sua direção partidária.

O desempenho do empresário Romero Reis (ex-PSL), nesta 11ª pesquisa de intenção de voto, é o de quem ficará disputando a lanterna. Já foi testado em nossos estudos outras vezes, ao longo do ano, e sempre apresentou um pífio desempenho. Ele não representa o sentimento nacional do partido e possui um currículo que levará sua imagem a ser defenestrada durante o processo eleitoral. Imagine um bode na sala: ele tem nome e sobrenome.

O Novo poderá participar de sua primeira eleição com a cara mais velha que a Arena dos idos de 1980. Romero Reis é um coronel que espelha a velha política. Como empresário, não possui nenhum atributo de destaque. O Novo pode – e deve – contribuir com o processo eleitoral, apresentando alguém que tenha sua identidade. Além do bolsonarista Romero Reis, há a possibilidade de surgirem dois outros pretendentes.

 

Presidência do Brasil

Falar sobre os rumos da eleição presidencial de 2022 ainda é quase que um exercício de futurologia. Movidos pelo sentimento de entender o efeito da presença do apresentador Luciano Huck, uma figura global, na cena eleitoral, decidimos avaliar seu nome junto ao eleitorado manauara.

Mesmo com todas as inúmeras idiossincrasias, para não dizer outras coisas, o presidente Jair Bolsonaro é um fenômeno, e lidera com 40,0%. Em segundo lugar, temos o ex-presidente Lula, com 15,8%, incluído neste estudo, independentemente de sua atual inelegibilidade. Não é mais aquela lenda imbatível no Norte e Nordeste.

Na terceira posição vem o ministro Sérgio Moro, com 13,5%. O fato relevante em relação ao ex-juiz é o de que, na 2ª opção de voto, ele obteve 35,0%, totalizando 48,5% de potencial de votos. Bolsonaro ficou com 48,1%. Caso o presidente morresse antes da eleição, pode-se dizer que Moro seria o candidato mais forte.

O nome de Ciro Gomes ficou em quarto lugar, com 6,0%. Luciano Huck não assusta, com seus 5,6%. Destaque para sua alta rejeição.

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Na sexta posição ficou João Amoedo, com 3,0%, seguido pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 2,4%, em sétimo. A lanterna é do senador Álvaro Dias, com 1,7%.

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