25 de novembro de 2019 às 17:48.

Eleições 2020: Somente David, Amazonino, Eduardo e Zé Ricardo conseguem mais de 10 pontos percentuais

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Nesta 12ª rodada de pesquisas para prefeito de Manaus (a última de 2019), foram apresentados aos entrevistados dois cenários, ao contrário do estudo de outubro, que foi só um.

O que nos motivou a fazer isso foram as últimas decisões internas do Partido dos Trabalhadores do Amazonas, na medida em que o deputado estadual Sinésio Campos afirmou que disputará com o deputado federal José Ricardo as prévias do PT para saber quem será o candidato petista.

Sendo assim, decidimos organizar dois cenários, cada um contendo um nome de cada partido, a fim de captarmos a força eleitoral deles. No PL (ex-PR), por exemplo, enquanto Alfredo Nascimento foi colocado no cenário 1, a deputada estadual Joana Darc foi testada no 2.

E antes que os admiradores de Marcelo Ramos tenham um surto, explico-lhes que o nome dele não foi colocado neste estudo, por uma simples situação: logo após a divulgação da pesquisa de outubro, o próprio disse, em mensagens no WhatsApp e postagens nas redes sociais, que permaneceria no seu mandato de deputado federal e não seria candidato a prefeito. O que, claro, não nos impede de o incluirmos em estudos posteriores.

Outros casos que podemos utilizar como exemplos são o Republicanos (ex-PRB), com Silas Câmara de um lado e o Capitão Alberto Neto de outro; e o Partido Novo, com Romero Reis e o Professor Amado.

Logicamente que nem todas as legendas possuem mais de um nome forte, por isso, procuramos equilibrar, de um lado e de outro, os nomes dos partidos que só tenham um pré-candidato como referência, para não termos uma disputa mais acirrada em um cenário que no outro.

O único nome que foi repetido nos dois cenários foi o do ex-deputado estadual David Almeida, presidente do Avante.

Tanto o cenário 1 quanto o 2 possuem 14 nomes e, em cada um deles, os entrevistados tiveram duas opções de voto e duas opções de rejeição, na estimulada. Não fizemos cenários de 2º Turno.

O período de campo desta última rodada foi de 21 a 24 de novembro, com uma amostra de 1.600 entrevistas, nas seis zonas socioeconômicas da cidade. A margem de erro é de 2,5%, para mais ou para menos, com grau de confiabilidade de 95%.

A próxima pesquisa da iMarketing para a corrida eleitoral de prefeito de Manaus será realizada somente em abril de 2020, seguida da apresentação de mais quatro estudos, que serão divulgados nos meses de maio, junho e julho (mês das convenções).

 

Antes de irmos aos números… existem máquinas e personalidades

Incontáveis serão os fatores que poderão decidir a vitória do próximo prefeito de Manaus. Ninguém ganha de véspera, e isso serve para os utopistas de plantão.

Alguns personagens devem ser citados, independentemente dos números captados na pesquisa de campo realizada na semana passada.

Arthur Neto (PSDB), no próximo Réveillon, completará 7 anos (ou 2.555 dias) à frente da Prefeitura de Manaus, e o cronômetro da contagem regressiva para conhecer seu sucessor será acionado por quase todos os protagonistas da competição eleitoral.

O prefeito, ao que parece, não indicará um candidato para sucedê-lo. Ao menos, não no 1º Turno. Mas, sem dúvida alguma, ele atuará para um dos lados no segundo, um fato que poderá ser determinante na vitória de um dos concorrentes.

O eleito em 25 de outubro de 2020 poderá viabilizar uma candidatura competitiva para governador, em 2022. Esse fato provável, por si só, definirá muitos projetos partidários e pessoais.

Mas a pergunta é: Arthur ainda possui pretensões políticas futuras? Se a resposta for sim, ele estará refém de resultados positivos, tanto na capital como no interior.

Quanto ao governador Wilson Lima (PSC), acredito que poderá permutar sua posição de não envolvimento na sucessão da capital. A regra incontestável se impõe bruscamente: em política não tem vácuo.

O futuro de Wilson está diretamente relacionado ao resultado das eleições municipais do próximo ano.

Uma outra variável de destaque na eleição das 5.570 cidades brasileiras é a presença forte e direta do atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Já estamos vivendo uma antecipação brutal do debate presidencial de 2022. E os dois farão de tudo para conquistar os maiores colégios eleitorais.

Um lembrete: em abril de 2017, não existia uma alma para afirmar que Amazonino Mendes (sem partido) ganharia outra eleição, que Wilson Lima poderia ser governador e que Bolsonaro seria presidente. O imponderável é fantástico.

 

David Almeida ganhou em 2019

O ano de 2019 foi o mais abençoado da carreira de David Almeida. Navegou confortavelmente na construção de sua candidatura, com base no seu recall de 2018, na agenda recheada de reuniões em todos os cantos da cidade e longe das polêmicas. Preservou-se profissionalmente.

David logrou excelentes números nesta rodada. No primeiro cenário, obteve a liderança, com 23,6%, e no segundo, com 24,3%.

Sua rejeição é menor do que 5 pontos percentuais nos dois cenários, o que é uma vantagem impagável.

Grande parte do eleitorado está refém de uma lógica de querer um nome diferente, técnico e competente, mas não encontra – ou não se identifica – com os nomes existentes.

David tem sido o principal catalizador do desejo mudancista, independentemente de seus vínculos históricos com o poder, uma incongruência que é típica do eleitor manauara.

A pluralidade de nomes com falta de apetite pelo poder é espantosa.

O distanciamento de Arthur e Wilson injetam doses cavalares de “hormônios” na campanha de David.

 

Amazonino quer muito, mas tem medo

Amazonino, de maneira dissimulada, fala que não será candidato, porém, ao contrário do que emite, este é o seu maior desejo ao longo dos seus 80 anos de vida, movido, aliás, pela ignóbil vingança que emana em suas conversas com o mundo político.

Sobrevive, eleitoralmente, na razão direta dos erros de seus adversários mais recentes. Deve gargalhar ao sabor dos fatos.

Incrédulos em aceitar o desempenho do Negão nas pesquisas mais recentes, esquecem de considerar que a falta de memória do eleitorado é uma das maiores aliadas do senhor Mendes.

Em recentes estudos sobre a qualidade das gestões municipais dos últimos 40 anos, a pior de todas foi a de 2009 a 2012. Quem era o prefeito?

Poderíamos elencar muitos outros aspectos que proporcionam sua performance.

Para organizar o seu projeto de poder, nos últimos meses, o “AMA” tem se reunido com diversos políticos, que, em sua maioria, a título de curiosidade, ele sempre os classificou como idiotas.

Vai participar das eleições de uma forma ou de outra. Sendo candidato, marchará para obter uma vaga no 2º Turno, mas, na sequência, há alta probabilidade de uma derrota. Eis o medo que o incomoda, minuto a minuto.

Apoiando alguém que se sinta à vontade na condição de marionete, poderá viabilizar esta candidatura com sucesso e, assim, acomodar seus apaniguados, novamente, dentro da máquina pública para conquistar o que melhor sabem fazer.

Amazonino chegou a 8,0% na espontânea, e na estimulada do segundo cenário, 20,1%. Seu potencial de voto, com duas opções de escolha, foi de 28,5%, e sua rejeição, de 34,3%.

O mais hilário é que ninguém faz oposição competente e inteligente a ele e a David. Ambos devem rezar, orar pelos seus adversários. Haja bondade no coração de todos eles, para não classificar suas atitudes de outra maneira.

 

O dilema do PT não existe

Uma enorme bobagem imaginar que exista outro nome melhor do que José Ricardo para candidato do Partido dos Trabalhadores.

O deputado federal obteve 11,5% no cenário 2, versus 1,5% do deputado estadual Sinésio Campos no cenário 1.

Brincar de fazer prévias é o mesmo que pedir para perder por antecipação. Se houvesse lideranças com densidade eleitoral próximas entre si, poderíamos considerar um debate interno altamente salutar e justificável.

Quatro meses serão suficientes para identificar o efeito Lula no projeto do PT em Manaus. Com um discurso centrado no ódio e na polarização, Lula poderá levar o PT para o isolamento. Isso implica em mais derrotas do que vitorias na eleição de 2020.

Manaus gosta de mudar, mas também recua quando o discurso vem carregado de ideologismos, de qualquer vertente.

José Ricardo deve meditar muito e auscultar para muito além do PT. O sectarismo partidário pode destruir sua candidatura.

 

Eduardo Braga e o desafio de acertar o futuro

O projeto do senador do MDB é ficar os oito anos em Brasília… ou não.

O eleitorado das 61 cidades do interior está alavancando o seu projeto de voltar a disputar o governo do estado, com alguma chance. Temos indicadores para afirmar esse status.

Ele caminha rapidamente para estar no 2º Turno, em 2022. Não estou tratando de uma eventual vitória e sim, de quem tem mais chances de chegar na disputa final.

Percebo um desejo de negação do futuro do senador em diversos grupos e pessoas influentes. A negativa deve ser motivada pela grande rejeição que detém (39,1% nesta pesquisa), pelos muitos inimigos na mídia e, principalmente, pela ausência de o desejo concreto dele em construir pontes de reconciliação com diversos segmentos da sociedade manauara.

Neste estudo de novembro, Eduardo Braga atraiu 12,2% dos votos e ficou em segundo lugar, no primeiro cenário.

Agora, apenas por exercício, imaginem se Amazonino resolvesse apostar suas fichas em Braga. Isso provocaria uma tendência que poderia levá-lo a atingir pelo menos 20% das intenções de voto, o que já o colocaria no 2º Turno, em Manaus.

No entanto, igual a Amazonino, hoje Braga também perderia no 2º Turno, porém, isso o fortaleceria para 2022.

 

Estamos sem o NOVO?

A renovação na política amazonense é pífia, para não dizer ridícula. Vamos assistir, indiferentes ou não, a mais uma campanha com pouco conteúdo consistente e incontáveis clichês.

Os nomes “novos” estão perdidos e inoperantes, por diversos motivos, diante das regras do jogo. Aguardam, não sei o quê, para agirem, de fato, como candidatos.

Mantendo o ritmo atual, serão amaldiçoados com a praga dos “2%”, que já atingiu muitos pretendentes, nas últimas seis eleições na capital amazonense.

O desejo de votar na mudança com um nome fora do circuito voltou a crescer (44,3%), e se igualou ao sentimento de escolher alguém com mais experiência (44,6%). Entretanto, não encontra guarida em um ou mais nomes, dentro da pesquisa estimulada.

O partido que tem o nome de NOVO, em um cenário, obteve 0,8% com o nome do professor Amado, e 0,2% no outro cenário, com o empresário Romero Reis.

Com menos de 200 filiados ativos em Manaus, podem ficar muito longe do sucesso conquistado pela legenda em outros estados do Brasil. Outros nomes, sem carreira tradicional, também estão bem aquém de atingir sucesso.

 

O que dizer dos demais postulantes

Seis nomes ficaram empatados, tecnicamente, no primeiro cenário, que tem David e Eduardo. A diferença é de apenas 3 pontos percentuais entre o terceiro e o oitavo colocado.

Chico Preto (PMN) ficou em terceiro, com 7,5%, e Capitão Alberto Neto, com 7,2%, em quarto. Em seguida, temos Serafim Corrêa (PSB), com 6,1%; Rebecca Garcia (PP), com 6,0%; Marcos Rotta (DEM), com 5,9%, e Alfredo Nascimento, com 4,5%.

Na sequência, outros seis nomes foram avaliados, e todos com menos de 2,0%: Sinésio Campos, com 1,5%; Hiram Nicolau (PSD), com 0,8%; Amado, com 0,8%; o superintendente da Suframa, Coronel Menezes (PSL), com 0,8%; Felipe Souza (Patriota), com 0,7%, e, em último lugar, o comunista Eron Bezerra, com 0,3%.

 

Cenário 2

No segundo cenário, José Ricardo ficou isolado na terceira posição, com 11,5%. Conceição Sampaio (PSDB), com 5,5%, lidera o bloco intermediário. Depois vem Hissa Abrahão (PDT) com 4,8%; Luiz Castro (Rede), com 4,0%; Vanessa Grazziotin (PCdoB), com 3,0%; Delegado Pablo (PSL), com 3,0%, e Joana Darc, com 2,8%.

Outros cinco nomes restantes obtiveram menos de 2,0%. São eles: Silas Câmara, com 1,6%; Pauderney Avelino (DEM), com 1,5%; Marcelo Serafim (PSB), com 1,2%; Marcelo Amil (PMN), e o empresário Romero Reis, com 0,2%.

 

Nenhum e Indecisos

No primeiro cenário, com David, Eduardo e mais 12 nomes, os que responderam que não votariam em nenhum foram 15,5%, e os indecisos, 6,7%. No outro cenário, que tem David, Amazonino, José Ricardo e mais 11 nomes, o nenhum ficou com 13,9%, e os indecisos, com 2,7%.

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