3 de janeiro de 2019 às 14:55.

Conheça os maiores fornecedores do Governo do Estado no triênio 2016-2018

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Analisando os pagamentos realizados pelo Governo do Amazonas no triênio 2016-2018, estabeleci, como linha de corte, apenas os fornecedores que receberam mais de R$ 70 milhões, no período. E o resultado obtido foi de 32 empresas.

Destas, 11 são cooperativas médicas e outras 3 também atuam na área de saúde (Hapvida, Bioplus e Zona Norte Engenharia). Na lista temos, ainda, algumas empresas da construção civil.

A maior fornecedora do Estado no último triênio foi a Umanizzare Gestão Prisional, com mais de R$ 678 milhões em pagamentos, R$ 283 milhões a mais do que a segunda colocada, a Construtora Etam, que levou do governo R$ 395 milhões.

Algumas das 32 fornecedoras selecionadas são empresas que já vinham mantendo os contratos desde antes de 2016. Já eram fornecedoras da administração pública estadual.

Mas, o que causa espanto são alguns exemplos excepcionais de “saltos quantitativos”:

Se, em 2016, a RSG Comércio Atacadista de Alimentos recebeu módicos R$ 269,40 por seus serviços, dois anos depois, o valor aumentou para R$ 71.640.226,15. Mesma coisa com a O M Boat Locação de Embarcações que subiu de R$ 4.033.066,67 para R$ 56.243.469,50.

Outros três casos de sucesso são a Hapvida Assistência Médica, que saltou de R$ 4.316.200,17 para 50.803.092,46; a CDC Empreendimentos, que foi de R$ 6.189.072,62 para R$ 57.371.165,22, e a R.V. Ono – ME, que recebeu R$ 10.744.178,78 em 2016 e, em 2018, faturou R$ 60.852.981,30.

Não precisamos nem citar os nomes de ninguém, até porque o meio empresarial manauara sabe como esses contratos são conseguidos e quem são os verdadeiros donos dessas empresas, alguns, inclusive, sob investigação da Polícia Federal.

Se o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) decidisse designar uma força-tarefa disposta a analisar esses contratos, bem como a execução dos referidos serviços, é possível que sejam encontradas distorções de toda ordem.

 

Os afortunados “ganhadores da Mega-Sena” de fim de mandato

Quando analisamos somente dezembro de 2018, último mês do ano da “arrumação da casa”, a líder absoluta foi a Construtora Etam, que recebeu R$ 74.551.122,77, do total de R$ 179.149.695,31 do ano todo.

Se levarmos em consideração que a Etam faz parte das empresas da família Cameli, que inclui ainda as construtoras Amazônidas e Colorado, também presentes na lista de fornecedoras, chegamos ao fantástico volume de quase R$ 113 milhões pagos pelo Governo do Estado a este grupo, em dezembro passado.

O mais incrível é que, no último mês de mandato, quando as luzes do governo que sai estão prestes a se apagarem, os fornecedores que conseguem receber, algo de extraordinário fizeram para alcançarem essa dádiva do governador e do secretário da Fazenda.

Logicamente que algumas empresas da lista não precisaram fazer nada de especial para serem pagas, porque são contratos mensais, recebendo apenas o que o Estado lhes devia no mês.

Mas outras, ou melhor, a maioria, não. Só conseguiram receber por conta de algum esforço descomunal de convencimento. As tabelas e os números estão aí, e se explicam por si só.

Diante desses dados, eis a questão final: o senhor secretário Carlos Henrique dos Reis Lima vai demitir quem atestou os laudos que permitiram os pagamentos milionários ou vai reproduzir a velha política do “deixa pra lá”? Porque, se mexer, poderá expor os maiores imperadores da corrupção do Amazonas.

Uma única certeza: todas as obras estão irregulares, não existem exceções. E isso se estende a outras secretarias.

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